Financiamento de carro: quais são os tipos e quando vale a pena

Especialista explica quais são as vantagens e desvantagens de cada modalidade Os brasileiros não podem comprar um carro novo por menos de R$ 71.990, preço do Fiat Mobi, o mais barato (ou menos caro) do Brasil. Isso levanta importantes dúvidas sobre quais são os financiamentos que existem e quando valem a pena. Atualmente, muitas financeiras dispõem de programas que têm facilitado a vida dos compradores. Entretanto, ainda há uma série de detalhes importantes para serem analisados antes de fechar negócio. E é isso que veremos a seguir.
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Crédito Direto ao Consumidor
O primeiro deles é o do tipo Crédito Direto ao Consumidor (CDC), o mais comum de todos, no qual o comprador interessado solicita um empréstimo (ou financiamento) para um banco ou uma instituição financeira, que concede o crédito equivalente ao valor do automóvel.
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No financiamento CDC, o comprador solicita o empréstimo ao banco ou instituição financeira
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Em consulta às plataformas de diversas financeiras, observa-se que elas pedem RG, passaporte, carteira de trabalho, comprovantes de residência e de renda, certificado de reservista ou CNH. Outras ainda pedem carteirinha de estudante, certidão de nascimento, CPF e título de eleitor, por exemplo.
Para veículos novos, a nota fiscal também é necessária. Já para os usados, é o Documento Único de Transferência (DUT) ou o Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV). Tudo será checado para certificar a autenticidade ou possíveis fraudes, uma vez que existem vários golpes onde falsos compradores enganam vendedores para coletarem dados e realizarem financiamentos.
Para a concessão de Crédito Direto ao Consumidor para a compra de um veículo novo, a nota fiscal é solicitada
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Na maioria dos casos, as instituições dão uma janela de tempo (normalmente de 30 dias corridos) entre o envio da proposta pelo financiado e o seu comprometimento com a compra. Dependendo da financeira, há limite de ano do veículo usado (algumas falam em 20 anos, o que permitiria, em 2024, a compra de carros de 2004 ou mais novos).
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Além disso, não costuma haver qualquer tipo de restrição de vendedor, podendo o veículo ser de qualquer pessoa física ou jurídica, incluindo parentes, desde que o carro esteja no nome da pessoa em questão. Entretanto, caso conste qualquer tipo de restrição administrativa ou judicial, o financiamento não poderá ser realizado.
Quanto aos laudos ou perícias técnicas, podem ser solicitadas para veículos usados, mas ao longo das consultas realizadas pela Autoesporte, não foram encontradas exigências claras por parte das financeiras.
Se tudo estiver nos conformes, a proposta do cliente será aprovada e a financeira realizará o depósito diretamente na conta do vendedor. Vale lembrar que a transferência em cartório ainda é necessária durante o processo.
Se houver qualquer tipo de restrição administrativa ou judicial, o financiamento não poderá ser realizado
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A depender do histórico de adimplência (como no SPC e no Serasa), de renda, patrimônio e de outros fatores, cada proponente terá um nível diferente de acesso a crédito. Por isso, é importante que a compra seja planejada em função disso. Tão fundamental quanto é saber que o carro costuma virar garantia de pagamento do contrato. Assim, será inserido gravame junto ao órgão de trânsito, impedindo a sua venda até que haja total quitação da dívida.
Em caso de não quitação das parcelas, o banco pode, inclusive, pedir busca e apreensão do veículo, que normalmente é levado a leilão e o valor obtido servirá para quitar o saldo devedor do contrato. Ainda assim, geralmente o consumidor fica com o saldo devedor em aberto.
Seguro dos carros mais vendidos do Brasil está quase 10% mais caro
Além do CDC explicado anteriormente, existe também o leasing (ou arrendamento mercantil) e o consórcio. As duas últimas modalidades são menos usuais, mas também vale a pena entender como funcionam.
Leasing
No leasing, a empresa oferece carros por meio de aluguel em taxas e prazos determinados na ocasião da contratação. Mês a mês, o cliente paga os aluguéis enquanto utiliza o veículo normalmente — lembrando que o bem estará no nome da empresa neste primeiro momento. Em todos os casos, o leasing obriga a contratação de seguro, logo, se ocorrer algum acidente enquanto o cliente está pagando as parcelas, será acionado.
Leasing é um tipo de financiamento em que o carro chega ao consumidor através do aluguel antes de se tornar um bem próprio
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No final do processo, quando todos os pagamentos tiverem sido concluídos, a posse do carro é passada para o seu nome, sem que surja a cobrança de qualquer custo além daquele que já foi pago ao longo do tempo. Porém, caso o cliente não consiga pagar, a empresa pode retomar o bem sem a necessidade dos meios judiciais.
Entretanto, o Procon alerta que caso a devolução não ocorra voluntariamente, é possível que o banco peça reintegração de posse do veículo. Neste caso, o devedor fica sujeito a execução judicial. Além disso, as parcelas em atraso serão acrescidas de multa de 2%, além de juros de 1% ao mês e comissão de permanência de acordo com as taxas de mercado.
Consórcio
Já o consórcio, por sua vez, consiste em um grupo de pessoas interessadas em adquirir um carro, que, para isso, pagam valores mensais para a administradora do consórcio. Todos os meses, a empresa realiza sorteios que têm como objetivo contemplar um cliente e fornecer a carta de crédito. Não são cobradas taxas de juros, portanto, trata-se de uma opção bem atraente em um primeiro momento.
Só que é preciso ficar de olho nas taxas cobradas pela administradora e no reajuste que é feito nas parcelas de tempos em tempos. Ou seja, enquanto nos outros dois tipos de financiamento, o valor das parcelas é fixo, aqui pode haver variações ao longo do contrato, já que o reajuste é feito com base no valor do carro registrado na tabela Fipe.
Consórcio é opção de financiamento que não cobra taxa de juros
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Trata-se de uma boa opção somente quando o interessado no financiamento não tem pressa para estar com o carro na garagem. A menos que tenha algum dinheiro guardado para oferecer como lance nos sorteios, a pessoa pode ter seu número contemplado tanto na primeira parcela quanto na última.
Como a duração do contrato pode durar até 100 meses, deve-se considerar a possibilidade de poder adquirir o veículo somente após o seu término. Ainda que receba o valor corrigido, garantindo que ele seja suficiente para comprar um carro com as características desejadas, o tempo de espera é algo que precisa ser colocado na balança.
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De acordo com o Banco Central, quando o cliente não consegue pagar as taxas, o consórcio poderá cobrar multa e juros previstos em contrato. No caso de consórcio de carros, normalmente a garantia é o próprio veículo, que pode ser objeto de busca e apreensão.
Se for o caso de o consorciado querer desistir, terá até sete dias a partir da data da assinatura. Os valores eventualmente pagos, a qualquer título, serão atualizados e devolvidos de imediato, sem ônus financeiro ao consorciado. Após esse prazo, a desistência deve ser formalizada e pode haver cobrança de multa pelos prejuízos causados ao grupo e à administradora.
E qual é mais vantajoso?
As regras sobre os financiamentos são as mais diversas, como foi possível perceber. E para cada modalidade, há vantagens e desvantagens. Para tirar as dúvidas, Autoesporte consultou um especialista em finanças para expandir as ideias, mas também clareá-las, a fim de tirar boas conclusões desse assunto tão complexo.
Outros gastos como licenciamento, IPVA, transferência de título e seguro também se fazem necessários ao comprar um veículo
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“A rigor, financiamento é um recurso que permite antecipar um benefício futuro mediante o pagamento de juros. Na prática, preserva-se a liquidez da conta bancária, algo muito importante do ponto de vista de finanças, mas que as pessoas por vezes desprezam, e só se dão conta quando há uma emergência. Além da compra do automóvel em si, há preocupação com vários outros gastos, como licenciamento, IPVA, transferência de titularidade e seguro”, lembra Márcio Macedo, diretor da Vera Cruz Investimentos.
Dito isso, é importante entender quais são as nuances de cada tipo de financiamento. Muitas vezes é importante que o investidor analise sua disponibilidade de caixa, a sua renda, a sua rotina (dentro da qual o automóvel será utilizado) e até mesmo como anda o cenário econômico do país. O especialista explica.
“No caso do CDC, além da taxa de juros informada pelo Banco, nós temos dois custos que podem ser relevantes e fazem com que a taxa efetiva seja maior. O TAC é uma tarifa de análise de crédito e é um valor fixo, muitas vezes de até uns R$ 2 mil. Outro valor é o IOF que tem uma alíquota que pode variar de acordo com a política econômica do governo. Essa alíquota hoje é de 0,38% do valor do empréstimo, mas 3% ao ano do valor movimentado, ou seja, quanto maior o prazo, maior é o valor do IOF”, diz.
“No leasing, por sua vez, a vantagem é não ter incidência de IOF, mas há uma incidência de ISS. Apesar disso, usualmente, várias dessas empresas ficam em ‘paraísos fiscais’, que são municípios pequenos com uma alíquota inexpressiva. A arrendatária muitas vezes consegue um acesso a crédito mais barato, então o leasing no final pode ser um pouco mais barato, ou melhor dizendo, menos caro”, explica Macedo.
É importante estar atento aos juros que serão cobrados pela instituição financeira
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Por fim, Márcio comenta sobre o consórcio, que tem suas diferenças em relação aos demais modelos de financiamentos. A modalidade, criada no Brasil, funciona basicamente como uma “poupança forçada”, nas palavras do especialista. Isso quer dizer que, mês a mês, investe-se determinada quantia de dinheiro, durante determinado tempo. Os custos envolvidos são, ainda segundo ele, taxas de administração sobre o consórcio.
“A grande vantagem do consórcio é poder ser sorteado o quanto antes e de se disciplinar a poupar os recursos para comprar o bem. O lado ruim é que você poupa antes de ter o bem, ou seja, você acaba postergando o benefício de ter o bem”, explica.
“Como se não bastasse, deve-se levar em conta o benefício pretendido. No caso de um motorista de aplicativo ou alguém que usa muito o veículo, por exemplo, é uma decisão que vai depender de cálculos. Se a pessoa trocar o carro A pelo B, vai pagar um determinado valor, mas de repente pode destravar economias em manutenção e talvez até em custo. Pode ou não compensar e vai depender de diversos fatores”, complementa Márcio.
Vale a pena antecipar o pagamento das parcelas do financiamento do carro?
De olho nas taxas
“O valor da parcela idealmente deveria ser no máximo 15% do rendimento, especialmente se o indivíduo mora de aluguel e esse conjunto todo idealmente deveria ser inferior a 35% ou 40% do rendimento para evitar um estresse financeiro”, ensina.
“Na minha opinião, uma taxa de 2% ao mês seria o máximo que se deveria tomar dentro de um cenário ideal e aceitável. Só para se ter como referência, ao se tomar um empréstimo de R$ 10 mil por 36 meses a 2% ao mês, ao final, serão desembolsados R$ 20.400. Mas, afinal de contas, estamos no Brasil, país acostumado a taxas de juros salgadas”, reflete Macedo.
Ainda segundo ele, ao longo de 2024, a expectativa é que a SELIC siga caindo do nível de 11,25% ao final de fevereiro para 9% em dezembro. Trata-se de uma redução de dois pontos percentuais, mas para o especialista, ainda se trata de um nível elevado para quem irá tomar crédito por meio dos financiamentos.
Financiamento de carro: quais são as vantagens para os aposentados?
Afinal, financiamento vale a pena?
Além de se ter em mente até que ponto as taxas ainda estão dentro de um patamar aceitável para o bolso do consumidor, o especialista sugere que se considere os seguintes aspectos na hora de pensar em um financiamento: preservação da liquidez, adequação da parcela à capacidade financeira do contratante, análise do custo efetivo do financiamento do automóvel.
“Podemos concluir que não existe almoço grátis. Se quiser financiar, vai ter que incorrer em despesa com juros que pode ser alta. Ter o carro incorrerá na redução de disponibilidade para, por exemplo, viajar ou ir a um restaurante. E se quiser pagar 100% à vista, vai reduzir a sua poupança e pode estar sujeito a imprevisto e faltar liquidez”, finaliza o diretor da Vera Cruz Investimentos.
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