F1 não tem pilotos mulheres há mais de 30 anos; conheça as pioneiras


O GP da Austrália abre a temporada 2026 da Fórmula 1 neste dia 8 de março. Nesta mesma data será comemorado o Dia Internacional da Mulher. Lamentavelmente, a competição não vê uma delas no grid de largada, entre os pilotos, há mais de 30 anos.
Você sabe quem foi Venina Piquet? Não, Venina não era parentáe do tricampeão de F1, mas foi uma pioneira no automobilismo mundial.
Carioca, nascida em 1899, Venina participou de sua primeira corrida em 1934, uma prova de arrancada no Recreio dos Bandeirantes, com um Ford Tudor 1934, e venceu com 2,5 segundos sobre o segundo colocado. Ganhou outras competições e, quando iria disputar sua prova mais importante, o GP do Rio de Janeiro de 1935, no Circuito da Gávea, foi proibida de correr pelo marido.
Venina Piquet foi primeira pilota brasileira
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No ano seguinte, insistiu em participar do GP, principal competição do calendário nacional e que receberia a francesa Hellé de Nice e seu Alfa Romeo 8C 2300 Monza (ela acabou sendo a primeira pilota a correr a prova). Porém, seu Bugatti 43 não foi entregue e, indignada, Venina abandonou o automobilismo.
Se Venina foi a “chauffeuse” que mais se destacou no começo do século passado, com três vitórias em seis provas disputadas, outra pilota, Dulce Borges Barreiros, foi a primeira mulher a vencer uma competição, o Quilômetro Lançado, na Av. Paulista, em São Paulo (SP), em 1926, com um Lincoln Série L. Também ganhou a Taça Rei do Volante, no circuito improvisado no Pacaembu, em 1927, com um Bugatti T35. Depois, abandonou a carreira.
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Desde 1884, com o raid Paris–Rouen, primeira corrida oficial de automóveis no mundo, as mulheres tentam se sobressair no automobilismo. Três delas foram pioneiras: as francesas Camille du Gast, a duquesa Anne de Mortemart e a baronesa Hélène van Zuylen. Outras tentaram, mas nenhuma se sobressaiu.
Lella Lombardi foi a única mulher a pontuar na Fórmula 1
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Em 1950 chegou a Fórmula 1, principal categoria do esporte a motor, e a restrição à participação de mulheres só aumentou: apenas cinco delas, em 75 anos, conseguiram vaga no cockpit; e somente uma, a italiana Lella Lombardi, pontuou (meio ponto no GP da Espanha de 1975).
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A pioneira na F1, outra italiana chamada Maria Teresa de Filippis, competiu em três provas entre 1958 e 1959. Foi vetada no GP da França com a justificativa do diretor da prova de que o “único capacete que uma mulher deveria usar é o do cabeleireiro”.
Giovanna Amati foi a última mulher a competir na Fórmula 1, em 1992
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A italiana Giovanna Amati foi a última pilota a correr na competição, em 1992. Portanto, são mais de 30 anos sem uma mulher registrada oficialmente na Fórmula 1.
Nos ralis, a participação feminina era mais comum. A maior exponente foi a francesa Michèle Mouton, vencedora de quatro provas do Mundial de Rali com o Audi Quattro em 1981 e 1982. Ela me disse que o maior elogio que recebeu de um piloto adversário foi um irônico “parabéns, você dirige como um homem”.
Bia Figueiredo é a mais bem-sucedida pilota brasileira
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Bia Figueiredo, nossa mais bem-sucedida pilota, conta que passou por situações parecidas quando começou a se destacar. Bia foi a primeira mulher no mundo a vencer uma prova na Fórmula Renault e na Indy Lights. Correu na Fórmula Indy, foi 13ª nas 500 Milhas de Indianápolis em 2012 e, em 2014, foi a primeira a guiar na Stock Car brasileira.
Em um país em que 500 mulheres são agredidas por hora e um feminicídio é registrado a cada 17 horas, sem contar outras barbaridades cometidas pelos homens, falar dessas pioneiras pode parecer superficial. Mas, quase sempre, tudo começa com uma provocação. Feliz Dia Internacional da Mulher.
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