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Como as tarifas de Trump vão impactar a indústria automobilística no Brasil

19/03/2025
Como as tarifas de Trump vão impactar a indústria automobilística no Brasil

Nosso país é o segundo maior fornecedor de aço e ferro para os EUA e, claro, sofrerá consequências; entenda o cenário Na última semana, o presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou as tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio de todos os seus fornecedores, inclusive o Brasil. Além disso, suspendeu até o dia 2 de abril as alíquotas de veículos provenientes do México e do Canadá e manteve as dos automóveis chineses em 20%.
A medida afeta grandes exportadores, onerando de forma demasiada os preços destes produtos naquele mercado. É de conhecimento que as siderúrgicas norte-americanas são pouco competitivas e existe um fator político em jogo, pois elas estão em sua grande parte localizadas em regiões de grande concentração de votos do atual presidente.
Sem exceções, este tipo de tarifação impacta diretamente setores como o automotivo e o de construção civil, mesmo porque os EUA não são capazes de produzir tudo o que consomem. Se por um lado o presidente pretende destinar recursos e desenvolver esta indústria, por outro os resultados não serão colhidos no curto prazo e os efeitos serão sentidos na economia.
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Os Estados Unidos são um dos maiores produtores de aço do mundo, mas o que é feito domesticamente não supre a demanda interna. Isso, portanto, faz com que o país seja um dos grandes importadores de aço — principalmente de produtos semiacabados, chapas laminadas e aço inoxidável.
Para se ter ideia, nos últimos 10 anos, as taxas de importação do produto variaram entre 23 e 34%, fechando em 26% em 2024. Bom aqui destacar que o Brasil e o Canadá são os principais fornecedores de aço semiacabado para os EUA.
Num primeiro momento o Brasil, segundo maior fornecedor de aço e ferro para os EUA, sofrerá perdas representativas com as exportações. Em 2024, os norte-americanos compraram US$ 4,67 bilhões em produtos brasileiros do conjunto de “Aço e Ferro”.
A participação dos maiores países exportadores de ferro e aço aos norte-americanos é demonstrada a seguir:
Participação dos maiores países exportadores de ferro e aço aos EUA
Usando apenas o recorte para o aço, é possível dimensionar a lista dos países que mais exportaram para os EUA nos últimos anos, em volume:
Canadá: 5,95 milhões de toneladas
Brasil: 4,08 milhões de toneladas
México: 3,19 milhões de toneladas
Coréia do Sul: 2,5 milhões de toneladas
Japão: 1,07 milhões de toneladas
China: 469 mil toneladas
Fonte: Departamento de Comércio dos EUA

EUA necessitam de importações para atender demanda interna
Getty Images
Sob a ótica do Brasil, os EUA são destino de 47,9% das exportações do grupo de aço e ferro. Em segundo lugar aparece a China com, 10,7% das exportações. Já no quesito produção mundial de aço, a China está disparada na frente. Tem número quase sete vezes maior que o da vice-líder, a Índia, e cerca de 13 vezes mais que os EUA.
Veja na lista abaixo o ranking de produção de aço bruto:
China: 1,005 bilhão
Índia: 149,6 milhões
Japão: 84 milhões
Estados Unidos: 79,5 milhões
Rússia: 70,7 milhões
Coreia do Sul: 63,5 milhões
Alemanha: 37,2 milhões
Turquia: 36,9 milhões
Brasil: 33,7 milhões
Irã: 31 milhões
Fonte: World Steel Association
Serão necessárias rápidas ações para que o Brasil encontre novos parceiros comerciais com a finalidade de escoar sua produção de aço no curto e médio prazos.
EUA e a produção de aço e alumínio
Com respeito ao alumínio, a situação dos EUA é ainda mais delicada. O país produz apenas uma pequena parcela do que consome e é altamente dependente de importações. A limitação da capacidade de produção de alumínio primário vem do alto custo da eletricidade para a sua produção.
Lista de países que mais exportaram alumínio para os Estados Unidos em 2024:
Canadá: 3,15 milhões de toneladas (58,1% do total importado pelos EUA)
Emirados Árabes Unidos: 347 mil toneladas (6,4%)
China: 223 mil toneladas (4,1%)
Coreia do Sul: 214 mil toneladas (3,9%)
Bahrein: 201 mil toneladas (3,7%)
Argentina: 176 mil toneladas (3,2%)
Fonte: Departamento de Comércio dos EUA
Os Estados Unidos não são autossuficientes na produção de aço e alumínio. Mesmo assim irá adotar alíquotas protecionistas na tentativa de fortalecer a sua indústria, e só colherá resultados práticos, benéficos, em apenas alguns anos.
No caso dos veículos taxados do México e Canadá, Trump voltou atrás e deu um prazo suplementar de um mês sem o imposto de 25%. Uma projeção da consultoria Anderson Economic Group diz que os automóveis poderão ficar até US$ 12 mil mais caros — valor representativo, lembrando que os veículos naquele mercado partem de valores inferiores a US$ 20 mil. Outros consultores entendem que os veículos ficarão em geral até 20% mais caros; particularmente considero mais assertivo este segundo cenário.
Acredito que estas ações (aço, alumínio e alíquotas veiculares) não serão benéficas para a economia dos EUA pois levarão a inflação. Trata-se de uma lei básica da economia de “Demanda e Oferta”.
E os impactos para o Brasil?
Com respeito aos mercados de aço e alumínio, estes serão afetados no curto prazo. Entretanto vejo possibilidades para o Brasil encontrar novos mercados incluindo o aumento das exportações de aço para a China (em torno de US$ 19,8 bilhões em minério de ferro foram exportados para a China em 2024, segundo o Mdic).
Já para o mercado automotivo brasileiro, como temos pouca sinergia com os EUA em relação aos produtos prontos, quase não sofreremos os efeitos destas alterações.
Em um cenário otimista, o Brasil poderá se tornar um país ainda mais relevante no mercado automobilístico
Getty Images
Entretanto, o excedente de produção, principalmente do México, poderá chegar ao nosso mercado exatamente como ocorreu no primeiro governo Trump (e em situações anteriores). Este excedente não seria capaz de impactar o nosso mercado em relação ao aumento da concorrência, ou numa diminuição de preços ao consumidor final, mas traria produtos que ainda não estão disponíveis por aqui.
Quanto aos chineses, duas montadoras do país já anunciaram fábricas e outras anunciaram suas operações por aqui. Outras mais virão… Temos potencial para receber entre 14 e 16 marcas chinesas e somos relevantes para esta fase de expansão global chinesa.
Com o novo sistema tributário (ainda com muita discussão por vir, principalmente sobre veículos no imposto seletivo, ou “do pecado”), a possibilidade de um acordo entre União Europeia e Mercosul, o advento de novas fábricas e o Mover trazendo investimentos diretos com o recorde em P&D (também via Mover), o Brasil poderá se tornar um país ainda mais relevante na produção mundial.
Importante recordar que, atualmente, ocupamos a oitava colocação no ranking mundial de produtores e que não se pode falar em mercado automobilístico global sem citar o Brasil. Estamos entre os 10 maiores mercados em emplacamentos e em vendas desde 2003. Somos um polo de produção regional com potencial de exportação para outras regiões.
Hoje, o foco é o atendimento ao mercado interno, mas existe a expectativa de exportar para nossos vizinhos da América do Sul. De forma marginal, poderíamos explorar outros mercados. Atualmente nossa indústria, com capacidade plena que beira a produção de 5 milhões de unidades, produz pouco mais do que metade disso e exporta cada vez menos.
Esta lógica precisa ser revertida para sermos menos dependentes do mercado interno, repleto de crises nos últimos 18 anos… O mercado interno ainda teria sua relevância, mas o foco na exportação daria o fôlego necessário para explorarmos números próximos a 1 milhão de veículos e termos uma produção interna entre 3,5 e 4 milhões de veículos — que sustentaria as operações aqui estabelecidas.
Tal convergência, citada mais acima, passa pela diminuição dos interesses específicos em detrimento do que a nossa indústria automobilística realmente necessita. Não pode haver mudanças na regra do jogo estabelecida. É ruim para o Brasil. Interesses privados não podem ser superiores ao interesse de uma indústria.
A antecipação do aumento das alíquotas atuais de Imposto de Importação (de 18% para elétricos, 20% para híbridos plug-in e 25% para híbridos) para o patamar de 35% é um absurdo. Já foi injustificada sua reintrodução, mas até aceitável dada a passividade da indústria local nos últimos 10 anos em relação ao processo de eletrificação. As regras devem ser claras e, como disse certa vez o antigo Ministro do Trabalho, Antônio Rogério Magri, “imexíveis”.
Recentemente, a Anfavea divulgou um texto dizendo que “nenhum país do mundo, com indústria automotiva instalada, tem uma barreira tão baixa para as importações, o que torna o nosso importante mercado um alvo fácil, especialmente para modelos que estão sendo barrados por grandes alíquotas na América do Norte e na Europa”. Faltou informar que nenhum país fez tão pouco como o Brasil.
Este é o tipo de situação que precisa mudar. O Brasil precisa se tornar mais ativo para virar, de fato, um player relevante na indústria global.
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