China proíbe venda de carros baratos demais para evitar crise


O governo da China proibiu fabricantes de veículos de venderem seus carros por valores muito abaixo do que de fato custam. O órgão regulador responsável pelo mercado chinês divulgou novas regras que passaram a valer a partir da última quinta-feira (12), com o objetivo de combater a concorrência desleal — o chamado “dumping”.
A nova medida é um desdobramento para frear a chamada “guerra de preços” que se iniciou no mercado chinês e alavancou as vendas de automóveis. Existe preocupação por parte do governo sobre uma futura crise econômica caso os fabricantes continuem tendo prejuízo de propósito — o que pode levar a demissões em massa. A lei se baseia em quatro regras centrais:
As fabricantes estão proibidas de venderem seus carros por preços inferiores ao que realmente custam; todas as despesas, impreterivelmente, devem estar “pulverizadas” no valor final do veículo;
Fornecedores e marcas não podem definir preços fixos por componentes, com o objetivo de evitar a concorrência desleal;
Não é permitido exigir que concessionárias pratiquem valores abaixo do mercado;
Será criada uma plataforma online, atualizada em tempo real, para o acompanhamento das transações financeiras por parte do governo, a fim de evitar novas fraudes.
A guerra de preços começou no fim da pandemia de covid-19 alavancou as vendas no país. Em 2025, o país registrou o licenciamento de 34,4 milhões de unidades, que corresponde à média de um carro vendido por segundo. São 17 anos consecutivos com o mercado chinês na liderança global.
BYD é a marca chinesa com o maior volume de vendas
Renato Durães/Autoesporte
No entanto, fabricantes menores não conseguem competir com os grandes grupos, o que causou a falência de startups e pequenas empresas (como WM Motor, HiPhi e a Evergrande Auto).
Outro exemplo disso é que fornecedores esperam mais de 300 dias para receber os pagamentos das fabricantes. Outros sequer foram pagos — caso da Neta Auto, que deve US$ 830 bilhões para empresas como a CATL, uma das maiores desenvolvedoras de baterias para carros elétricos do mundo.
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A guerra de preços chegou a afetar fornecedores globais, como a Bosch, que, segundo o site Automotive News, teria sido “chantageada” com a ameaça de cortes de até 15% em pedidos futuros.
Com as novas regras, o governo chinês entende que um mercado mais competitivo e justo deverá prevalecer, embora custe números de vendas mais enxutos nos próximos anos. É o melhor momento da indústria local.
Marcas chinesas avançam no mundo
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Renato Durães/Autoesporte
O ano de 2025 foi positivo para as fabricantes chinesas globalmente. O bom desempenho foi encabeçado pela BYD, que vendeu mais carros do que a Ford. A Geely superou gigantes como Honda e Nissan, e conquistou seu lugar no “top 10”. Veja abaixo:
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Conforme revela reportagem da agência Bloomberg, a BYD vendeu cerca de 4,6 milhões de veículos no último ano, assumindo a sexta posição no ranking mundial, superando os 4,4 milhões de carros vendidos pela Ford.
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A Geely vendeu 4,1 milhões e avançou duas posições no ranking na comparação com 2024, ficando à frente de nomes fortes como Honda (3,5 milhões) e Nissan (3,2 milhões).
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