Celta Spider e Uno Cabrio fizeram história nos anos 2000 sem chegar às ruas


Apesar de ser um país tropical, o Brasil nunca teve forte relação com carros conversíveis. Contam-se nos dedos os nacionais como Karmann Ghia, Interlagos, Escort XR3 e Kadett GSi, sempre em baixíssimos volumes, além de algumas tentativas com modelos fora de série — Puma, Miura, Farus, SR, Sulam etc.
Ainda assim, dois modelos sem teto ocupam espaço importante em nossa memória automotiva e servem como ótima referência do talento dos designers e engenheiros nacionais.
Chevrolet Celta Spider foi criado para demonstrar a versatilidade da plataforma do hatch
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Mesmo que separados por uma década, Chevrolet Celta Spider e Fiat Uno Cabrio têm muito em comum: ambos eram roadsters (só dois lugares), traziam pintura azul (mesmo que em tonalidades bem distantes), não tinham absolutamente nenhuma capota (nem mesmo de lona) e foram veículos nacionais únicos, com apenas uma unidade fabricada, para apresentação como carro conceito em edições do Salão do Automóvel de São Paulo.
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O primeiro foi o Celta Spider, mostrado no estande da Chevrolet no evento de 2000 (o Celta havia sido lançado apenas um mês antes). Já de cara, para evitar sempre a mesma e inapelável pergunta, a GM avisava no material de imprensa que “a mensagem dessa versão esportiva do Celta é a versatilidade da plataforma, não a de um veículo do futuro.
O propósito do carro conceito é exercitar a criatividade, ir além do que o público espera sem a pretensão de produção em escala comercial”. Ou seja, a fabricante deixava claro: não, gente, não vamos fabricar essa versão!
Uma pena, pois o Spider era muito interessante. O interior foi bastante remodelado em relação ao do Celta original, ficando bem mais sofisticado e futurista. Na época, a GM foi bastante econômica na divulgação da ficha técnica: disse somente que o carro tinha motor de quatro cilindros e câmbio de cinco marchas, dando a entender tratar-se do mesmo conjunto 1.0 do Celta normal. Mas as rodas eram aro 17 e os freios, a disco nas quatro rodas.
Motor 1.0 Família I de 60 cv do Celta normal equipava o Spider, mas rodas aro 17 e painel especial davam charme ao conceito
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Posteriormente, o Spider chegou a ficar exposto no Museu da Ulbra, em Canoas (RS), por um bom tempo. Com o fechamento do local, foi parar na fábrica de Gravataí (RS), sendo exibido aos visitantes pelo menos até 2013. Depois disso, desapareceu — mas é certo que não faz mais parte do acervo da GM.
Além do estiloso teto aberto, Fiat Uno Cabrio arrancava suspiros pelo uso do motor 1.4 turbo de 152 cv do Punto T-Jet
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Já o Fiat Uno Cabrio nasceu uma década depois do Spider, no Salão de 2010. A proposta era bem parecida, mas antecipava a chegada do Novo Uno duas portas. O interior, porém, era pouco ousado, com painel quase igual ao do modelo de série, adicionados somente um manômetro de pressão do turbo e dois pequenos mostradores, de pressão de óleo e combustível, no console central. De resto, apenas acabamentos (bem) mais sofisticados e estilo aluminizado.
Em compensação, o conceito da Fiat andava, e muito: o Uno Cabrio foi equipado com o motor 1.4 turbo de quatro cilindros e 16 válvulas do Punto T-Jet, com 152 cv. Algum tempo depois do salão, em 2011, a Fiat saciou a curiosidade da imprensa especializada e liberou o Cabrio para algumas voltas em um kartódromo na Grande São Paulo, onde arrancou suspiros apaixonados dos que puderam assumir seu volante.
Fiat Uno Cabrio
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Além, obviamente, da falta de teto (compensada por dois santantônios pintados em um tom de prata acetinado), o que mais chamava a atenção no estilo do Cabrio eram as lanternas traseiras. Como no carro original elas ficavam nas colunas C, que inexistiam no conceito, optou-se por um desenho inédito, nunca mais visto em nenhum Uno: eram divididas em três segmentos, sendo o central um pouco mais proeminente, com lâmpadas de LED e lentes transparentes, no melhor estilo Ford Fusion e Nissan Sentra mexicanos.
A Fiat foi na mesma linha da General Motors e, no material enviado à imprensa, chamou o Uno Cabrio de “exemplo do envolvimento da marca com novas soluções, ainda que sejam apenas exercícios de criatividade. Utilizando a carroceria de duas portas, o modelo conversível é um exemplo da infinidade de alternativas que podem ser geradas a partir da plataforma do Novo Uno”. Resumindo, outro “não, rapaziada, não vamos produzir esse carro em série!”.
Diferentemente do Celta Spider, a boa notícia é que o Fiat Uno Cabrio ainda hoje é guardado pela Stellantis, na fábrica de Betim (MG). Às vezes, inclusive, ainda dá algumas voltas pela pista de teste. Desde que, é claro, não esteja chovendo…
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