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“Ainda Estou Aqui” revela a luta do cinema brasileiro por carros de época

18/01/2025
“Ainda Estou Aqui” revela a luta do cinema brasileiro por carros de época

Kadett 1968 usado no longa metragem só foi achado um mês antes do início das gravações Se você acredita que a Terra é plana, é contra a vacina ou nega que houve perseguição, tortura e mortes nos anos de chumbo da ditadura, provavelmente não vai a cinema e não assistiu Ainda Estou Aqui, o festejado filme de Walter Salles. Não assistiu, mas detestou.
Mas, se você é um dos mais de 3 milhões de espectadores que viram o longa, da estreia no fim do ano passado até agora, percebeu que em uma das cenas o engenheiro e deputado cassado Rubens Paiva foi ao encontro de seus algozes dirigindo um carro vermelho – um fastback com queda acentuada do teto, estacionado defronte à casa onde morava.
Como a própria AE mostrou, o carro era um Opel Kadett L 1968, versão básica do modelo. O que não se sabia é que o carro do filme foi adaptado para ficar igual ao Kadett da família Paiva, solução que você verá mais adiante.
Opel Kadett durante as gravações de “Ainda estou aqui”
Reprodução/Veículos de Cena
Para conseguir um Kadett, a produção do longa lançou o pedido aos seus colaboradores habituais, gente envolvida no universo de carros antigos e donos de locadoras de veículos para cinema, além da pesquisa em sites de compra e venda de automóveis.
Onde encontrar no Brasil um Kadett B Kiemencoupe vermelho, fabricado na Alemanha entre 1967 e 1973? Era um dos desafios dos produtores, uma vez que o carro é peça-chave na trama: Eunice Paiva (vivida por Fernanda Torres) só descobriu que seu marido estava detido no DOI-CODI, o departamento de inteligência e repressão do governo, quando viu o Kadett estacionado no pátio daquelas dependências, na rua Barão de Mesquita, sede do 1º Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro. Ela ainda não sabia que ele estava morto. O corpo de Rubens Paiva nunca foi encontrado.
Não há como saber ao certo quantas unidades do Kadett de segunda geração (de 1965 a 1973) foram trazidas ao Brasil por alguns concessionários Chevrolet e por importadores independentes (o único Opel que a GM importou foi o Tigra, 2.652 unidades trazidas da Espanha em 1998 e que aqui recebeu o logotipo Chevrolet). Mas sabe-se que não foram muitos carros, a maioria cupê, já que a preferência na época era por carros duas portas.
Na Europa, havia oito variações de carroceria, incluindo as peruas de duas e quatro portas. Com seu motor de 1,1 litro, 55 cv e tração traseira, era um carro popular que, apesar de mais caro que os rivais Ford Corcel e Volkswagen 1600, oferecia mais recursos e tinha estilo mais moderno.
Opel Kadett 1968 ao lado de Kadett perua
Reprodução/Pedro Alcadi
“O estilo do carro é que chamava a atenção”, conta Pedro Acaldi, dono de uma loja de autopeças para carros antigos em Londrina e dono de um impecável Opel Kadett 1968 vermelho e de uma perua Opel duas portas do mesmo ano. “Muita gente comprou por causa disso, mas logo se decepcionou com o desempenho e passava o carro adiante”.
Ele conta que boa parte dos carros que circulava em São Paulo foi parar no Paraguai. O dele foi comprado em Cambé, interior do Paraná, em 1977, pelo preço equivalente ao de um Chevette. “Usei o carro durante oito anos e depois o mantive como relíquia.” Dadas estas características, grande parte do Opel acabou ou no Paraguai ou em depósitos de sucata. Hoje é um carro raro.
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Destruição em massa
As produtoras nacionais enfrentam grande dificuldade para conseguir carros de época – diz Portuga Tavares, entusiasta de veículos antigos e produtor do programa Auto Esporte. É comum se ver em filmes que retratam os anos 1960 ou 1970 carros mais modernos misturados aos demais modelos, mas isso nem sempre é percebido pelo público.
Segundo ele, o maior problema das produtoras é a falta de verba para conseguir objetos de cena, especialmente veículos. “Geralmente, esses carros estão nas mãos de colecionadores que nem sempre cedem os veículos por receio de que suas joias possam ser danificadas”, conta. “E quando se dispõe a ceder, o preço do aluguel não compensa”. Comprar carros está fora de cogitação e a verba de aluguel mal cobre as despesas de deslocamento do veículo.
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Carros de época que, por fidelidade histórica, precisam ser destruídos em cena são mais difíceis de encontrar. “O que se faz nessa situação é recorrer a veículos em mau estado, dar um banho de tinta e cuidar para que a câmera não foque nas imperfeições do carro”, explica Portuga.
Furgão usado no filme “Cidade de Deus”
Reprodução
Foi o que aconteceu na produção de Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz, de 2022. Na vida real, o médium Arigó morreu em janeiro de 1971 quando colidiu seu Opala contra uma picape na rodovia BR-040; no filme, o acidente foi simulado em ambiente com pouca luz e mostra os dois carros em ângulo fechado já parcialmente destruídos.
“Outra dificuldade é que, ao contrário dos Estados Unidos, temos pouquíssimas empresas de locação ou construção de veículos para esta finalidade, como a do pioneiro George Barris, em Los Angeles. Ele criou o Batmóvel e o De Lorean que aparece em De Volta para o Futuro, entre outras centenas de criações. Mas, à medida em que o cinema nacional se desenvolva, tenho esperança de que esse tipo de atividade vai crescer por aqui”.
O ator e diretor Wagner Moura confirma a dificuldade. Ele conta que ao dirigir o longa Marighela, lançado em 2019, foi lhe apresentada a relação de carros para figurar no filme: 15, ao todo. “Lembro que tínhamos uma Kombi que apareceu 70 vezes em menos de uma hora”, ele disse. Quando foi para os Estados Unidos no ano seguinte para dirigir a série Narcos, um produtor o procurou lamentando ter reunido apenas 150 veículos para um dos episódios. “Fiz cara de espanto quando fui informado que eu poderia destruir ‘apenas’ 40 carros daquela frota”.
Como comparação, em Corrida Contra o Destino (originalmente Vanishing Point), filme de 1971, a Chrysler cedeu cinco Dodge Challenger R/T que estava em fase de pré-lançamento na época da gravação, além de toda a frota de apoio formada por Dodge Coronet e Polara e Plymouth Belvedere literalmente destruída na filmagem.
Miura é uma das opções de carros buscados para produções
Reprodução
Na cena em que o Challenger se espatifa contra as pás de duas retroescavadeiras Caterpillar, foi usado um Camaro 1967 sem motor e carregado de explosivos: nenhum dos Challenger sofreu danos mais sérios, mas, ainda assim, quatro deles foram escrapeados pelo fabricante (quando Quentin Tarantino quis homenagear Vanishing Point em seu obscuro À Prova de Morte, 36 anos depois, não encontrou Challenger R/T disponíveis e teve de adaptar a versão básica do carro para que ficasse parecida com a original esportiva).
Em Se Meu Fusca Falasse (1968), o diretor Robert Stevenson contou com 40 Fuscas, a maioria inutilizada. Mas nada se compara ao massacre de 532 veículos em O Lado Oculto da Lua, uma das sequências de Transformers.
Kadett Vermelho Chama
Mas o problema dos produtores de Ainda Estou Aqui era conseguir um Opel Kadett. No fim de 2022, quando se iniciaram os preparativos para o filme que começaria a ser rodado em junho do ano seguinte, o pedido para este carro específico chegou a Fábio Costa Martins, dono da Veículos de Cena, empresa de locação de veículos para produções audiovisuais. “Lembro que o pedido destacava que o Kadett deveria ter três depressões verticais na coluna traseira e ser vermelho”, conta.
Opel Kadett tinha cor amarela original, mas precisou ser pintado de vermelho
Reprodução/Veículos de Cena
As depressões eram a marca registrada da versão Kiemencoupe (do alemão, cupê com guelras). Martins acionou os seus contatos e, semanas antes do início das filmagens, soube que um colecionador de São Paulo queria se desfazer de parte de sua frota. Entre os carros oferecidos, um Kadett.
“Era um senhor idoso que não tinha mais disposição para cuidar de sua frota – conta Martins. “Fui ver o carro e a primeira coisa que notei é que o carro era amarelo (Satellite Yellow, de acordo com o catálogo de cores original do modelo) e tinha teto de vinil preto, um dos opcionais de época para as versões mais caras, mas do mesmo modelo exigido para o filme. Negociei e comprei o carro no mesmo dia”. Ele não revela quanto pagou, mas sabe-se que foi bem menos que os R$ 170 mil pedidos por um modelo similar oferecido para venda na internet.
Martins teve cinco dias de prazo para retirar o vinil, repintar o carro na cor Vermelho Chama (Flame Red) e despachá-lo para o Rio. Conseguiu fazer o trabalho em três dias e poderia concorrer ao Oscar de maquiagem, tal a perfeição com a qual executou o trabalho.
Rubens Paiva com uma das filhas ao lado do Kadett
Reprodução
Como já tinha trabalhado nas produções de Walter Salles, sabia que o diretor abominava qualquer ruído que pudesse contaminar o som ambiente. “Fui dar uma volta com o carro, percebi que o cano de escapamento produzia barulho irritante e não tive dúvida: troquei a peça, mantendo a ponteira original”.
O carro ficou cerca de oito meses no Rio de Janeiro para as gravações e agora encontra-se na sede da Veículos de Cena. “É um carro que roda incrivelmente bem e ainda não sei o que farei com ele”. Martins ficou espantado com a repercussão do filme e com o interesse que o Kadett despertou nos espectadores. E já há interessados na compra do veículo.
Há 15 anos no ramo, Martins é muito procurado pelas produtoras de audiovisuais e emissoras de televisão para a locação de veículos. “Todos os carros que aparecem em um dos episódios de Black Mirror, o Striking Vipers, rodado em São Paulo, fui eu que consegui”, conta. Agora, ele, que forneceu os veículos de Cidade de Deus, em 2002, se divide entre conseguir os carros para a continuidade do filme e providenciar a frota para as próximas produções da Globo.
Fã de cinema, adaptou um furgão Iveco com todos os recursos necessários, incluindo suporte para reboque e para fixação de câmeras, para servir de câmera-car. E já apareceu em várias produções como motorista.
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Fonte: Read More 

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