Grupo Sentinela_Logotipo_1_bc300Grupo Sentinela_Logotipo_1_bc300Grupo Sentinela_Logotipo_1_bc300Grupo Sentinela_Logotipo_1_bc300
  • HOME
  • SERVIÇOS
  • ÁREA PCD
  • CONSULTAS
  • SOBRE NÓS
  • DOWNLOAD
  • SEGUROS
  • BLOG
  • NOTÍCIAS
✕

AE 60 anos: Glauco Lucena é o mestre-sala de nova era na revista

16/08/2024
AE 60 anos: Glauco Lucena é o mestre-sala de nova era na revista

O jornalista Glauco Lucena participou diretamente do nascimento de uma nova geração de Autoesporte que rendeu grandes frutos e furos Com mais de uma década de trabalho na Autoesporte, de 2002 a 2013, inicialmente como editor e depois promovido a redator-chefe, o jornalista, vocalista de banda de rock e palmeirense fanático Glauco Lucena vivenciou diretamente o processo de transformação da marca após sua aquisição pela Editora Globo, em 1998.
A carreira inteira de Lucena está ligada à comunicação no setor automotivo: começou como repórter no Jornal do Carro (do Jornal da Tarde, do Grupo O Estado de S. Paulo) e foi editor do site Carsale. Chegou a Autoesporte exatamente para encarar o desafio de fortalecer a publicação e prepará-la para os novos tempos. Depois, foi para o chamado “outro lado do balcão”: trabalhou na assessoria de imprensa da FCA (atual Stellantis) e, hoje, é gerente de comunicação da Anfavea, a associação que reúne as montadoras no Brasil.
Nesta entrevista exclusiva, Lucena recorda com orgulho sua passagem por Autoesporte e ressalta alguns furos jornalísticos memoráveis, como a revelação do Ford EcoSport e do Volkswagen Fox.
Glauco Lucena entrou para a equipe de Autoesporte em 2002 com a missão de trazer matérias de segredos e flagras
Autoesporte
+ Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte.
Autoesporte – Para começar, a pergunta inevitável: como você chegou a Autoesporte?
Glauco Lucena – No início dos anos 2000 o mercado editorial estava bem agitado. Autoesporte havia sido comprada pela Editora Globo, em 1998, e algum tempo se passou até que acontecesse uma reformulação, inclusive na equipe. Aí muita gente boa acabou saindo da revista nesse meio-tempo, porque nasceram os portais da internet, que contratavam jornalistas automotivos a peso de ouro. Na época, o chefão da Editora Globo era Juan Ocerin, um espanhol que originalmente tinha vindo ao Brasil para cuidar da separação da Autolatina. Ele conhecia bem a indústria automotiva e gostava de carro. Partiu dele a iniciativa de dar uma injeção de ânimo na revista, que era então apenas a quarta colocada em vendas dentro do segmento automotivo. Ele assumiu pessoalmente uma missão do tipo “ou salva ou fecha”.
AE – Nessa fase, onde você trabalhava?
GL – Eu comecei no Jornal do Carro, do Jornal da Tarde, mas também acabei migrando para a internet. Tornei-me editor de um site chamado Carsale, que era metade do UOL e metade do Pacifico Paoli, ex-superintendente da Fiat. Fiquei dois anos lá. Acontece que o Juan Ocerin era fã do Carsale. Eu sempre gostei de segredos, trabalhava muito nisso. Sempre que o Carsale publicava uma matéria de segredo, o Juan imprimia e levava para o Marcus Vinicius Gasques, que era o diretor de redação de Autoesporte, dizendo que era disso que a revista precisava, que essas matérias davam audiência e repercussão, coisas desse tipo. Eu e o Gasques já nos conhecíamos da época do Jornal do Carro, tínhamos um bom relacionamento, e ele acabou me convidando para trabalhar na revista.
Uma das principais missões de Glauco Lucena era incorporar a rotina de segredos a Autoesporte. Surgiram, então, furos mundiais como o primeiro flagra do EcoSport e a revelação do Fox
Reprodução
AE – Então você já chegou com uma grande responsabilidade, a de conseguir segredos para a revista?
GL – Exatamente. E conseguimos revelar em primeira mão dois segredos mundiais, o Ford EcoSport e o Volkswagen Fox. Absolutamente todo mundo estava atrás desses dois carros, que eram os maiores segredos de então, guardados a sete chaves.
AE – E como foi que vocês conseguiram?
GL – No caso do EcoSport, que até então chamávamos de Amazon, o nome do projeto, eu consegui a informação de que o carro estava rodando em testes no Campo de Provas da Ford em Tatuí, no interior de São Paulo. Mas o único jeito de fotografá-lo era de helicóptero, o que custava uma fortuna. Falamos com a direção da Editora Globo e eles toparam, mas era um risco, poderia ser que não desse em nada. Chamamos o Oswaldo Palermo, fotógrafo com experiência nesse tipo de matéria, e deu certo, conseguimos pegar o carro. A repercussão foi gigantesca, também porque fizeram uma propaganda mostrando a capa da revista no intervalo do Jornal Nacional. O resultado foi que a venda da edição daquele mês, agosto de 2002, chegou a quase o triplo do normal. Os diretores da Editora Globo adoraram e falaram: é isso aí, queremos mais.
AE – Aí vocês foram atrás do Fox?
GL – Antes conseguimos também pegar o Polo Sedan, que eu soube que estava rodando em testes na fábrica de motores da Volkswagen, em Taubaté (SP). Fizemos outra vez o esquema do helicóptero e conseguimos de novo. Aí as vendas triplicaram de vez. O Fox, que também chamávamos até aquele momento de Tupi, apelido do projeto, foi o que deu mais trabalho. O pessoal da Volkswagen sabia que estávamos atrás do carro, não só nós como a imprensa automotiva inteira, e tentava nos desestimular dizendo “nem adianta procurar que vocês não vão achar”. Foram dois meses caçando o carro, o fotógrafo e o auxiliar de testes rodaram 10 mil quilômetros atrás dele, várias tentativas foram frustradas. No fim, conseguimos encontrá-lo no interior de Minas Gerais. Sinceramente, a projeção publicada não ficou muito boa, porque o segredo era tão grande que ficamos com medo de contratar alguém de fora para fazer o desenho e a informação vazar para alguma revista concorrente. Pouquíssimas pessoas sabiam que tínhamos conseguido as fotos do carro camuflado — e tinha que ser assim —, então acabamos usando alguém da arte da Editora Globo para fazer a projeção. As ferramentas de edição de imagem não eram tão desenvolvidas como hoje, mas o furo em si, o fato de conseguirmos pegar o carro, que era o mais importante, estava lá.
Com meses de “caça” e uso até de helicóptero, Autoesporte conseguiu revelar ao mundo o misterioso projeto Tupi, que deu vida ao Fox
Reproudção
AE – Aquela missão inicial de “ou salva ou fecha”, então, foi bem-sucedida…
GL – Sim, pode-se dizer que a revista não só tirou o pescoço para fora do buraco como ganhou respeito. Passamos a trabalhar em uma nova configuração editorial. Usávamos muito referências de revistas europeias; e algumas editorias, como as de automobilismo e turismo, perderam espaço, enquanto outras, como Qual Comprar e Área Restrita, nasceram. Fizemos também grandes entrevistas com executivos da indústria automobilística. Uma das principais foi com Carlos Ghosn, o brasileiro que era presidente da Nissan no Japão. Autoesporte passou a ter um estilo mais “quente”, ficou menos dirigida a entusiastas e mais a temas de mercado, ganhou uma pegada sem tanto “tecniquês”. Investimos muito no editorial: queríamos melhorar os textos, fazer coisas diferentes, mais inspiradas, e fotos com maior plástica. O resultado foi que as vendas, tanto em banca quanto assinaturas, explodiram, chegando a níveis de praticamente cinco vezes mais do que no início dos anos 2000. Com esses números, iniciamos mais um ciclo de crescimento que nos ajudou ainda mais a aumentar e a rejuvenescer a equipe, investindo também no site e nas redes sociais de Autoesporte, o que ainda era algo pouco explorado.
AE – Como foi esse processo de desenvolvimento do jornalismo automotivo digital? Tudo era meio novo nessa área…
GL – Montamos uma equipe específica para trabalhar no site e o material produzido era independente da revista. Era uma linguagem diferente, mais descolada. Usamos muito a nosso favor a época de pico do Facebook, que nos ajudou muito, trazendo fluxo para o site. Na parede da redação tínhamos até um “hodômetro” de quantos seguidores tínhamos, que foi crescendo: 100 mil, 200 mil… Quando chegamos a 1 milhão, teve festa com bolo, champanhe e tudo. O engajamento era absurdo na época, foi uma fase em que Autoesporte ficou muito popular. Chegou um momento em que todo mundo da imprensa automotiva queria trabalhar lá.
Lucena durante entrevista com o então presidente da Renault no Brasil, Pierre Poupel
Autoesporte
AE – Algum carro te marcou muito nessa sua longa passagem por Autoesporte?
GL – Algumas matérias que escrevi me marcaram mais do que os carros em si. Uma delas foi quando o Q3 chegou ao Brasil: a Audi estava em baixa na época, tinha saído do Salão do Automóvel, seus preços haviam subido absurdamente e as vendas caíram muito. A situação estava ruim. Fiz a matéria como se fosse o próprio carro escrevendo, em primeira pessoa, procurando seus irmãos mais velhos Q5 e Q7 pelos bairros nobres de São Paulo. Muita gente que nem era leitor regular de Autoesporte elogiou essa reportagem. Outra legal foi a do Chrysler Town & Country. Na época, meu filho tinha 6 anos, e ele explorou o carro em detalhes, porque era grande, tinha TV e mais um monte de coisas que chamaram a atenção dele. Afinal, era um modelo com proposta essencialmente familiar. Aí acabei fazendo o texto descrevendo o carro sob a ótica dele, uma criança, com ele assinando a matéria. Também teve a que contei como era dirigir um Mercedes-AMG GT R, com um V8 biturbo de 585 cv, pintado de verdão Green Hell Magno pelas ruas de São Paulo. Nunca chamei tanta atenção na vida…
Glauco Lucena: para além dos carros, jornalista explorava diferentes pontos de vista ao escrever suas matérias
Autoesporte
AE – Você procurava, então, explorar outras formas de falar de um carro que não fosse destrinchar os números da ficha técnica?
GL – É isso. Era uma pegada mais leve, bem–humorada, que deixava as matérias mais interessantes e criativas. Funcionava muito bem, particularmente nos casos em que o carro tinha pouco apelo ou leves atualizações de ano/modelo, sem muita novidade. Uma coisa que eu também fazia era criar personagens para falar dos carros, trabalhando o texto como se fosse uma conversa. Teve o vizinho curioso, o barbeiro palpiteiro, o guarda questionador etc. Eles, inclusive, apareceram em várias edições. Nessa linha, nós ainda criamos a seção Testemunha Ocular, na qual um repórter vivia na pele situações que estavam ligadas, de alguma forma, a carros. O pessoal pulou de car bungee, que era um bungee-jump de carro, trabalhou um dia em uma linha de montagem… esse tipo de coisa. Isso eu trouxe ainda da época do Jornal do Carro, onde também fazíamos matérias como essas. Em uma delas, eu até passei um dia como frentista. Só que apareceu para abastecer um antigo colega da faculdade, que não sabia de nada e não me via há algum tempo. Imagine o susto dele quando me viu trabalhando no posto de gasolina…
Lucena, o mais abaixo e à esquerda na imagem, com a equipe de Autoesporte em 2011
Autoesporte
Quer ter acesso a conteúdos exclusivos da Autoesporte? É só clicar aqui para acessar a revista digital.
Mais Lidas

Fonte: Read More 

Compartilhar
0

Artigos Relacionados

Changan promete híbridos com consumo de 33,5 km/l para encarar BYD e Geely
17/03/2026

Changan promete híbridos com consumo de 33,5 km/l para encarar BYD e Geely


Leia mais
Leapmotor A05 é a grande arma da Stellantis contra BYD Dolphin e Geely EX2
17/03/2026

Leapmotor A05 é a grande arma da Stellantis contra BYD Dolphin e Geely EX2


Leia mais
Kia Besta era a rival muito mais refinada (e cara) que a Kombi; relembre
17/03/2026

Kia Besta era a rival muito mais refinada (e cara) que a Kombi; relembre


Leia mais

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

© 2021 Todos os Direitos Reservados a Sentinela Despachantes.
Elaborado por: Kamilla Ribeiro | Desenvolvido por: Sales Publicidade
      Precisa de ajuda?
      Sentinela Despachantes
      Olá,
      em que podemos te ajudar?
      Iniciar conversa
      Usamos cookies para oferecer uma experiência melhor no site. Mas respeitamos a sua decisão e você pode aceitar ou não em compartilhar a sua experiência em nosso site.