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JAC atrasa entrega de carros e clientes reclamam: ‘Estão nos enrolando’

27/09/2026
JAC atrasa entrega de carros e clientes reclamam: ‘Estão nos enrolando’


A Jac Motors está em crise e isso não é novidade para ninguém. Anteriormente, Autoesporte noticiou que a marca havia tirado dois veículos de passeio de linha, além de ter fechado concessionárias, restando apenas três em todo Brasil. Desta vez, clientes que realizaram a compra do elétrico e-JS1 ainda este ano relatam não terem recebido o carro, mesmo meses após a aquisição.
O incidente não é um caso isolado e prova disso são diferentes relatos de consumidores que compraram o subcompacto, mas ainda não têm o bem adquirido em mãos, em diferentes regiões do país.
O motorista de aplicativo João Paulo Araújo, de Curitiba (PR), adquiriu um e-JS1 em maio deste ano, mas até hoje não recebeu o veículo. Segundo o cliente, por conta da demora, foi proposto que, enquanto o carro não chegasse, as parcelas do financiamento seriam pagas pela concessionária. A promessa, entretanto, não foi cumprida:
“A vendedora disse que a primeira parcela (e as subsequentes) do financiamento eles pagariam enquanto o carro não fosse entregue. Quando chegou o período da primeira cobrança, entrei em contato com eles para saber como seria feito o pagamento. Foi aí que toda a enrolação começou. Eles disseram que estavam com uma alta demanda de pagamentos e, por isso, o meu ainda não havia sido feito, mas que ainda assim eu seria reembolsado. Paguei a primeira parcela com juros, a segunda e também a terceira. Até então não houve qualquer contato para ressarcimento”, declarou.
Compradores do Jac E-JS1 em 2026 não estão recebendo o veículo, mas a cobrança do financiamento está ativa
Renato Durães/Autoesporte
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A proposta de arcar com as parcelas do carro também foi feita à também motorista de app Dimaymilli Santos, de Dourados (MS), que, assim como como João, adquiriu um e-JS1, o veículo até agora não foi entregue e o pagamento temporário das parcelas proposto pela loja para compensar o atraso não foi realizado:
“Ao final do prazo de 45 dias sem a entrega ter sido realizada, eles nos informaram de um problema com a importação do automóvel. Manifestamos a intenção de cancelamento da compra e, como contraproposta, ofereceram pagar as parcelas que estavam em aberto até que o automóvel chegasse, mas isso nunca foi feito, estão nos enrolando. Agora, ninguém da concessionária nos responde. A financiadora nos liga dia e noite propondo um acordo de devolução do carro, mas nós nem o recebemos”, comentou a cliente.
Caroline Bassani entregaria seu Tiguan usado na compra do Jac E-JS1, mas até agora não recebeu o modelo
Reprodução/Caroline Bassani
Outra cliente, Caroline Bassani, de Porto Alegre (RS), que fez a aquisição de um e-JS1 em março, é mais uma cliente que enfrenta dificuldades. Segundo a compradora, desde que o primeiro prazo de entrega expirou, novas datas vêm sendo estipuladas sucessivamente, mas também não são cumpridas:
“Desde a primeira vez que entramos em contato com eles, após o vencimento do primeiro prazo (de 30 dias), eles se comprometeram a pagar os boletos enquanto o carro não chegava. Sempre uma data era prometida, mas nunca era cumprida. Me passaram para um funcionário de São Paulo, que afirmou que o veículo estava no Espírito Santo, onde acontece o desembarque, mas mesmo assim o veículo ainda não chegou. O último prazo estabelecido foi em agosto. Já se passaram 188 dias desde o meu primeiro contato com a montadora”, relatou Bassani.
Daila Sobral, de Juazeiro do Norte (CE), outra compradora do JAC e-JS1 que até agora não está com o carro na garagem, afirma ter comprado o elétrico após muita insistência por parte da marca. “Foi uma semana de negociação com muita insistência por parte da vendedora para fechar esse contrato o quanto antes e assim garantir todos os benefícios que foram ofertados: carregador e emplacamento grátis, além do pagamento da primeira parcela”, contou.
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Proprietários buscam o cancelamento do contrato
Diante dos problemas enfrentados desde a compra do veículo, consumidores buscam um distrato do contrato assinado. Entretanto, contatar o grupo SHC, que representa a JAC no Brasil, não tem sido tarefa simples:
“Quando chegou o final de agosto e nada disso havia sido resolvido, pedi o cancelamento do contrato. Nesse período, também pedi várias vezes contato com o banco, que foi um financiamento feito pelo BV. Após algumas semanas, com ligações quase que semanais e diferentes protocolos, é que eu fui informado que o banco não faria o cancelamento, pois todo valor já havia sido destinado à concessionária e que a loja também não respondia aos contatos com o banco”, retomou o curitibano João Paulo Araújo.
“Procurei um advogado, que me orientou como iniciar o processo de rescisão: primeiro, registrar formalmente o problema no órgão de defesa do consumidor e, depois, enviar um e-mail para a empresa também relatando o que estava acontecendo. Contudo, o e-mail que é fornecido pela fabricante não existe, o e-mail volta. Também entrei em contato com o banco que fez o financiamento e fui informada que entrariam em contato com a empresa para desfazer o financiamento e que dariam retorno em 15 dias. Esse prazo também já se encerrou e a situação ainda não teve um desfecho”, comentou a cearense Daila Sobral.
Autoesporte entrou em contato com a Jac Motors, buscando um pronunciamento sobre os casos relatados. Até o momento da publicação, contudo, a montadora chinesa não respondeu os questionamentos.
Jac E-JS1
Guilherme Silva/Autoesporte
Não recebi o carro que comprei: o que fazer?
Para entender o que pode ser feito perante à justiça, Autoesporte conversou com Dori Boucault, especialista em direito do consumidor e do fornecedor. Segundo o advogado, os casos envolvendo a JAC Motors estão previstos no Artigo 35 do Código de Defesa do Consumidor, que aborda o descumprimento de uma oferta.
Caso não receba um produto adquirido, o consumidor tem direito de exigir a entrega imediata do bem, a substituição por outro produto equivalente ou o cancelamento da compra, com direito à rescisão do contrato e devolução de todo o valor pago com a correção monetária. Caso o assunto vá parar na Justiça, pode ainda pedir indenização por perdas e danos materiais ou morais.
Para que a situação seja solucionada, o Boucault destaca que o primeiro passo é tentar contato com a própria empresa, por meio dos canais oficiais. Caso não obtenha respostas, o próximo passo é formalizar reclamações em órgãos oficiais de defesa do consumidor, antes de acionar a Justiça.
“[Se o consumidor] não consegue falar com ninguém [da empresa], aí tem o Procon, o Consumidor.gov, que é do Ministério da Justiça… São organismos muito fortes que vão fazer uso desse respaldo, dessa comunicação. Então, [contato] administrativo e [contato] jurídico. Fazendo isso, pode ter certeza que alguém vai começar a se movimentar”, explicou o especialista.
Boucault ressaltou que a instituição financeira responsável pelo financiamento dos veículos também pode ser envolvida em um eventual processo judicial, caso se recuse a suspender a cobrança em caso comprovado de não cumprimento da entrega do produto.
“Se [o banco fez o financiamento] junto com a montadora, aí entra naquela chamada responsabilidade solidária. Se o banco foi escolhido pelo consumidor e também não consegue fazer contato com a empresa, aí tem uma responsabilidade menor. Agora, se [o banco] continuar cobrando algo que o consumidor não recebeu, aí o cliente pode pedir junto a um advogado a suspensão do pagamento das parcelas para evitar um prejuízo maior”, completou o advogado.
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Fonte: Read More 

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