Toyota reabre fábrica de motores um ano após destruição por tempestade


Apenas um ano depois da fábrica de motores em Porto Feliz (SP) ser destruída por uma microexplosão atmosférica, a Toyota retomou as atividades na unidade nesta terça-feira (22). O recomeço acontece pela área da fundição, a primeira reinaugurada, ainda em ritmo abaixo do considerado ideal.
Para reabrir exatamente um ano após o incidente, houve uma corrida contra o tempo para recuperar a fábrica que teve boa parte da sua estrutura totalmente danificada. Para se ter uma ideia, o telhado foi todo destruído, assim como parte das colunas estruturais. Mesmo com a retomada, a operação completa só será retomada no começo de 2028, de acordo com Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota no Brasil:
“Estamos aproveitando a reforma para ampliar a área construída da fábrica, nos preparando para demandas futuras. Também estamos reforçando a construção, que atualmente é 45% mais forte do que a anterior, graças ao uso de colunas metálicas que são mais resistentes do que as de concreto, entre outras melhorias”.
Área de produção da fábrica de motores ficou assim após a tempestade
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A retomada da fundição conta com 150 funcionários que já trabalhavam nessa área, mas foram realocados em outras funções durante a reforma. Quando tudo estiver pronto, em meados de 2028, a intenção é ter o mesmo quadro de 830 funcionários dedicados à produção de motores. Desse total, 200 foram transferidos para a produção de automóveis em Sorocaba e, por isso, essas vagas deverão ser preenchidas com novas contratações.
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Parte dos escritórios também foi destruída na fábrica de Porto Feliz (SP)
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A fábrica de Porto Feliz recebeu novos fornos de baixa pressão, usados na produção de cabeçotes, já que os antigos foram totalmente danificados no dia do acidente pois o alumínio que estava dentro solidificou. Segundo o diretor, a empresa já previa a troca dos equipamentos e o ocorrido apenas antecipou a tomada de decisão.
Operação de guerra da Toyota para produzir motores
O importante lançamento do Yaris Cross estava programado para outubro de 2025, um mês após a destruição da fábrica de motores. Dessa forma, a única alternativa foi adiar o lançamento, com a chegada nas lojas acontecendo em fevereiro deste ano. Vale lembrar que a pré-venda foi aberta em novembro de 2025, antes mesmo da sua produção começar.
Retomada da produção na fábrica de Porto Feliz (SP) acontece pela área de fundição
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O SUV é equipado com os motores 1.5 flex e 1.5 híbrido flex, ambos com injeção direta, que não são produzidos em outros países. Sem apoio internacional, a Toyota do Brasil teve que correr para encontrar um local para produzir os motores do Yaris Cross.
Cerca de uma semana após o ocorrido, a Toyota havia definido sua estratégia: alugar um galpão e transferir o maquinário de produção, com foco nos motores do Yaris Cross. Isso porque, em Porto Feliz, a marca também produz o motor 2.0 usado no Corolla e no Corolla Cross, mas este tem produção em outros mercados e a matriz garantiu o volume necessário para o Brasil, pedindo foco total no 1.5.
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E foi aí que a sorte ajudou a montadora, pois ela precisava de um galpão de, pelo menos, 28 mil m² e que o solo suportasse o peso de suas máquinas. Encontrou o condomínio DVR, localizado a 11 quilômetros da sua fábrica de Sorocaba, para onde os motores são enviados, com um galpão de 45 mil m² disponível. A decisão de Rafael Chang, presidente da empresa no Brasil na época, junto com o diretor industrial, foi de alugar tudo e garantir o espaço.
Fábrica da Toyota em Porto Feliz (SP) seguirá em obras até 2028
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Com o contrato assinado, começou a transferência de todos os equipamentos da linha de produção dos motores 1.5 e, depois, o maquinário da linha do 2.0 também foi transferido para o novo galpão. Esse trabalho acontecia 24 horas por dia, com o uso de caminhões.
Quatro meses após o ocorrido, em janeiro de 2026, a nova estrutura no DVR estava pronta e com capacidade para entregar 400 motores 1.5 flex e 1.5 híbrido flex por dia, que era o ritmo projetado para Porto Feliz, permitindo o lançamento do primeiro SUV compacto híbrido flex do mercado brasileiro.
Além de produzir os motores 2.0, a matriz também ajudou na produção de componentes usinados para os motores 1.5, depois de receber os moldes aqui do Brasil, uma vez que a parte de usinagem não foi transferida para o DVR, por causa do porte e peso dos equipamentos.
Atualmente a Toyota produz os motores 1.5 do Yaris Cross em galpão alugado a 11 quilômetros da fábrica de Sorocaba
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Depois de executar todo esse plano de guerra, a Toyota iniciou as vendas do Yaris Cross e conseguiu atender a demanda do mercado brasileiro, assim como das exportações. No Brasil, de janeiro a agosto, foram vendidas 25.083 unidades, posicionando o Yaris Cross como 28º modelo mais vendido no país, de acordo com o ranking de vendas de automóveis e comerciais leves da Fenabrave.
Qual será o futuro da atual produção de motores da Toyota?
Desde que iniciou a produção no DVR, a Toyota já produziu 42 mil motores. Vale ressaltar que parte desse volume foi produzido com injeção multiponto e sem o sistema flex, para atender os mercados de exportação, mas o maior volume foi das unidades configuradas para o Brasil.
Agora, a Toyota estuda o que fazer com essa unidade alugada. Uma coisa é certa: toda a linha dos motores 2.0 será transferida e voltará ao seu local de origem e, até lá, a matriz seguirá abastecendo o mercado brasileiro. Mas e a linha de motores 1.5?
Toyota continuará importando os motores 2.0 até 2028
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Essa pergunta ainda não foi respondida nem pelo diretor industrial, pois o fato desses motores serem feitos apenas no Brasil, gera uma série de questões que precisam ser respondidas internamente:
“Para transferir a linha de motores 1.5 novamente para Porto Feliz, uma paralisação da produção será necessária. E não temos como receber ajuda de nenhum outro mercado. Dessa forma, estamos estudando como fazer, se vamos elevar o ritmo e criar um estoque, ou se vamos manter a produção dos 1.5 onde está e levar para Porto Feliz apenas a do 2.0”.
O galpão de 45 mil m² é alugado em módulos, somando um total de nove. Parte desses módulos pode ser devolvida quando a linha do 2.0 for transferida, reduzindo a área e os custos da Toyota no local. Até outubro de 2028 o contrato atual está vigente e, depois disso, pode haver uma readequação.
A meta da Toyota é produzir 700 motores/dia no Brasil até 2028, sendo 400 unidades do 1.5 e 300 do 2.0.
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