Teste: xPeng G6 é SUV chinês que pode antecipar chegada da marca ao Brasil


Talvez a xPeng ainda seja pouco conhecida dos brasileiros, mas isso pode mudar nos próximos anos. A fabricante chinesa já iniciou os preparativos para entrar no país, como a contratação dos primeiros funcionários locais e a busca por uma sede nacional, embora ainda não tenha data definida para estrear.
A empresa tem entre seus produtos até carros voadores, os chamados eVTOLs. Em uma eventual chegada ao nosso mercado, porém, serão seus automóveis que naturalmente despertarão maior interesse — e o G6 é um dos mais importantes deles.
Trata-se de um SUV médio elétrico de 4,76 metros de comprimento, praticamente o mesmo tamanho de um Jeep Commander. O G6, aliás, mostra como os ciclos de renovação dos elétricos atuais ficaram mais curtos. Pouco tempo depois de chegar à atual geração, o SUV já recebeu, no último trimestre de 2025, uma atualização de motor, bateria e potência de recarga
xPeng G6 nem chegou ao Brasil e já foi renovado na China
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Por fora, as diferenças são discretas. A faixa luminosa dianteira agora se estende até as extremidades do carro. Já o logotipo da Xpeng ficou maior e em posição mais elevada no capô. Na cabine há um volante redesenhado, retrovisor interno digital de 9 polegadas e iluminação ambiente multicolor. A lista de equipamentos é generosa e inclui bancos dianteiros de couro sintético com ventilação, aquecimento e massagem.
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O acabamento, aliás, é um dos pontos fortes do xPeng G6. Tem materiais macios na parte superior do painel e das portas, boa qualidade de montagem e detalhes pouco comuns, como revestimento parecido com camurça nos pilares dianteiros e centrais, além de imitação de madeira no painel. O resultado é uma cabine capaz de transmitir sensação semelhante à percebida em elétricos premium europeus — e, em alguns aspectos, até superior. No entanto, curiosamente, não existe porta-luvas.
Quase tudo no G6 é comandado pela tela central. Botões físicos são raros: restam basicamente os comandos dos vidros e alguns atalhos no volante para ajustar a climatização ou o controle de velocidade de cruzeiro. À frente do motorista, o quadro digital de 10,25” tem bons gráficos, porém não mostra a potência instantânea usada ou recuperada.
Visual do xPeng G6 agrada, mas é genérico em comparação com outras marcas chinesas
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A central multimídia horizontal tem generosas 15,6”, boa resolução e gráficos agradáveis, mas exige algum período de adaptação até que o usuário entenda a lógica dos menus. E existe um problema que parece pequeno, mas incomoda: ainda há muitos erros na tradução para o português. No ajuste do peso da da direção elétrica, por exemplo, um dos níveis aparece como “luz”. É certamente consequência de uma tradução literal do inglês “light”, que pode significar tanto “luz” quanto “leve”.
Outro exemplo curioso da tradução aparece na função chamada de “retrovisor de fluxo contínuo”. Na prática, é o retrovisor interno digital, que mostra a imagem captada por uma câmera traseira. Como ocorre em outros sistemas do tipo, é mais difícil perceber a profundidade. No G6, dependendo da incidência de luz, a imagem da tela ainda pode se sobrepor ao reflexo do próprio espelho e provocar confusão visual.
Espaço interno é uma das qualidades do xPeng G6
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O espaço interno do G6 é muito bom, principalmente para pernas e cabeça. Passageiros com até 1,95 metro de altura conseguem viajar atrás sem sensação de aperto. A largura é menos generosa para três adultos, mas o piso completamente plano ajuda no conforto de quem vai no meio. Há saídas de ventilação traseiras, porém sem ajuste independente da intensidade ou da temperatura — uma ausência difícil de justificar para um SUV que, na Europa, custa mais de 50 mil euros (o equivalente a cerca de R$ 300 mil em conversão direta).
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O teto panorâmico aumenta a sensação de espaço. O problema é que não há cortina para bloquear o sol nem recurso eletrocrômico capaz de escurecer o vidro, como nos BMW, Porsche ou Volvo. Em um país quente como o Brasil, seria uma característica especialmente desejável.
O porta-malas compensa esses deslizes. Tem 571 litros, volume generoso para a categoria, e pode ser ampliado com o rebatimento do encosto traseiro. Além disso, o bagageiro reserva um espaço sob o piso para guardar os cabos de recarga — solução nada prática quando o porta-malas está cheio.
Ao volante do xPeng G6
Teto panorâmico amplia a sensação de espaço. No entanto, o G6 não tem cortina nem recurso eletrocrômico, o que significa uma incidência constante do sol em dias quentes
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A gama inclui duas versões equipadas com bateria de 80,8 kWh (LFP). A bateria anterior, de 87,5 kWh, tinha maior capacidade energética e autonomia homologada de até 570 km. Na nova configuração, são 535 km pelo ciclo WLTP na versão de tração traseira, equipada com apenas um motor de 296 cv.
A opção com tração integral acrescenta um segundo motor dianteiro assíncrono de 190 cv e leva o G6 a 487 cv de potência combinada, com autonomia de 510 km. Já a configuração de entrada, com 252 cv, traz uma bateria de 68,5 kWh e até 480 km de alcance.
Foi a versão intermediária, Long Range RWD, de 296 cv e tração traseira, que dirigi em Lisboa (Portugal). Uma das primeiras boas impressões vem do isolamento acústico, beneficiado pelos vidros dianteiros duplos.
xPeng G6 tem pacote de equipamentos honesto para um SUV de sua categoria
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A direção também merece elogios. É mais pesada e comunicativa do que a encontrada na maioria dos carros chineses atuais e tem relação adequada, com 2,75 voltas do volante entre os batentes. Também é possível perceber claramente a diferença entre os três níveis de assistência — leve, médio e pesado —, bem como entre os modos Eco, Comfort e Sport, que alteram a resposta do acelerador e a potência disponível. E potência não falta. O G6 Long Range acelera de zero a 100 km/h em 6,7 segundos, passa de 80 km/h a 120 km/h em 4,3 s e chega a 202 km/h de velocidade máxima.
Também é possível ajustar a resposta do pedal do freio. O modo Suave deixa o comando excessivamente esponjoso, já o Moderado e o Afiado são mais imediatos, sendo o último o mais agradável. A regeneração de energia pode ser regulada entre Baixo, Médio, Alto e xPedal. Curiosamente, este último não é o popular modo “one pedal” renomeado: mesmo no ajuste mais intenso, o SUV não para completamente quando o motorista tira o pé do acelerador.
G6 tem bancos de couro microperfurado, mas não tem porta-luvas; único nicho fechado fica no console
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A suspensão encontra um equilíbrio aceitável entre conforto e estabilidade, embora algumas irregularidades do piso cheguem à cabine com intensidade maior do que o desejável. A unidade testada usava rodas de 20” e pneus 255/45, de perfil mais baixo que os 235/55 R18 oferecidos de série. As rodas menores têm impacto visual menos marcante, mas provavelmente ajudam mais no conforto de rodagem.
Os bancos traseiros do xPeng G6 reclinam, deixando a cabine ainda mais espaçosa
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Em compensação, a tração traseira trabalha para evitar as perdas de aderência comuns em elétricos potentes de tração dianteira quando se crava o pé no acelerador. Combinada à direção mais comunicativa, essa arquitetura também deixa o G6 interessante quando o ritmo aumenta em estradas sinuosas. É possível até provocar pequenos movimentos da traseira nas curvas, tornando a condução mais divertida.
E este painel de instrumentos do xPeng G6? Mais chinês, impossível
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A xPeng declara um consumo médio de 5,5 km/kWh e autonomia de 535 km para essa versão do G6. Depois de mais de 100 km rodados por trajetos variados, incluindo vias rápidas, estradas sinuosas e cidade, terminei o percurso marcando cerca de 5 km/kWh. Nas condições do teste, portanto, a autonomia real parece estar mais perto dos 400 km em um circuito misto. Talvez fique mais próxima do prometido pela marca em ciclo puramente urbano.
No próprio computador de bordo o motorista pode escolher que tipo de autonomia estimada vai aparecer: “Dinâmica”, baseada no uso real, ou “WLTP”, calculada a partir do consumo homologado. Em determinado momento, o sistema mostrava 100 km restantes no cálculo dinâmico e 167 km no WLTP, uma diferença de 67%. Na prática, a primeira indicação é mais realista.
Retrovisor digital do xPeng G6 tem 9 polegadas
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De toda forma, é na recarga que o G6 exibe um de seus maiores diferenciais técnicos. A arquitetura elétrica de 800 volts permite receber até 451 kW em corrente contínua (DC). Em condições ideais, a xPeng afirma que a bateria recarrega de 10% a 80% em apenas 12 minutos. Por outro lado, em corrente alternada (AC), o G6 aceita somente 11 kW, demandando 9 horas e 20 minutos para ir de 5% a 100%.
Que belas rodas foram instaladaas no xPeng G6
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Aqui entra uma ressalva importante para o Brasil. Já existe no país ao menos uma estação capaz de superar essa potência: um carregador de 480 kW entrou em operação em Porto Alegre neste ano. Porém, equipamentos desse tipo ainda são exceção em uma rede na qual boa parte dos pontos rápidos trabalha com potências muito inferiores. Por isso, para a realidade brasileira atual, imaginar algo próximo de meia hora para uma recarga rápida é uma expectativa mais sensata.
Chegou a hora de se acostumar com o logotipo da xPeng. A marca chinesa está para desembarcar no Brasil
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No fim, o xPeng G6 ajuda a explicar por que fabricantes chinesas passaram a incomodar marcas tradicionais também no segmento premium. Não é um carro perfeito: os menus poderiam ser mais simples, as traduções precisam de revisão e algumas escolhas de ergonomia são questionáveis. Mas espaço interno, acabamento, desempenho, comportamento dinâmico e tecnologia de recarga formam um conjunto convincente. Se a xPeng realmente decidir entrar no Brasil, o G6 mostra que a montadora tem argumentos para ir muito além de apenas mais uma marca chinesa chegando ao nosso mercado.
Pontos positivos: Acabamento, comportamento dinâmico, isolamento acústico e potência de recarga DC
Pontos negativos: Suspensão nem tão confortável, autonomia real abaixo da divulgada e potência de recarga AC
xPeng G6
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