Teste: Kia Tasman GL é picape exótica cheia de atributos contra Hilux e Ranger


“Quem vê cara não vê coração.” Quem sou eu para discordar desse ditado tão antigo e popular, especialmente quando se trata da Kia Tasman. A primeira picape média da história da marca tem tido seu visual duramente criticado desde o lançamento global, mas me surpreendeu muito positivamente em vários aspectos nesse primeiro contato no mercado brasileiro.
Comecemos pelo preço, R$ 249.990 na versão GL, a única disponível no momento. Até o fim deste ano chegará a PGL, mais completa e cara. Ou seja, a Tasman estreia no Brasil com uma configuração de entrada, estratégia incomum, mas explicada pelo grupo Gandini, importador oficial da Kia, como uma forma de conseguir lançar o produto agora.
Meu olhar, ainda desviado da polêmica estética, alcança a tabela de preço. Com os mesmos R$ 250 mil pedidos pela Kia Tasman GL é possível comprar uma GWM Poer P30 Exclusive ou uma Ram Dakota Big Horn, também versões básicas de picapes de origem chinesa (sim, a Dakota é feita na Argentina por uma marca norte-americana, mas seu projeto nasceu na China).
Estilo da Kia Tasman GL lembra o do Jeep Gladiator
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Ford Ranger, Toyota Hilux e Chevrolet S10, trio que domina o mercado há décadas, têm tabelas bem mais salgadas, acima dos R$ 280 mil. Com exceção da caminhonete da Ford, as rivais ficam mais caras até na venda direta, em que há grandes descontos na compra usando um CNPJ.
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Sigo ignorando o visual do modelo e foco agora nos itens de série. Mesmo sendo uma versão básica, a Kia Tasman GL não faz feio. Tem chave com sensor presencial, partida por botão, ar-condicionado digital de duas zonas, freio de estacionamento eletrônico, faróis full-LED com acendimento automático, câmera de ré, sensores de estacionamento, rodas de 17 polegadas, seis airbags e central multimídia de 12,3 polegadas.
Ok, o pacote fica aquém de Dakota e Poer P30, mas supera as demais concorrentes, embora estribos laterais e protetor de caçamba sejam vendidos só como acessórios. Itens como quadro de instrumentos digital, pacote Adas e bancos dianteiros de couro com ajustes elétricos estarão disponíveis na Tasman PGL.
Entre as muitas ousadias de estilo, os faróis ficam nas extremidades laterais, quase camuflados na carroceria
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Ainda não é hora de analisar o exterior da Tasman. Antes, dou uma voltinha de 5 km em uma fazenda no interior de São Paulo. Não é o test drive mais longo, mas foi o que a Kia nos proporcionou nesse primeiro contato. A secura do tempo reduziu a complexidade do percurso, que poderia perfeitamente ter sido feito com tração 4×2.
O instrutor insistiu para que eu acionasse o 4×4 automático, que lê as condições de aderência e distribui a força entre os eixos. As informações dessa entrega inteligente de torque aparecem no pequeno computador de bordo. Fiz o ajuste pelo seletor de tração e segui. A novata também dispõe de 4×4 normal e reduzida, além de sete modos de condução, com respostas específicas de aceleração, direção e câmbio: Eco, Normal, Sport, My Drive, Neve, Lama e Areia.
Acabamento da Kia Tasman é acima da média do segmento
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Se continuo apegado ao clichê de que quem vê cara não vê coração, destaco agora a motorização. O moderno motor 2.2 turbodiesel Smartstream é o mesmo do Sorento, mas recalibrado de 194 cv para 210 cv, o que faz dela a picape quatro-cilindros a diesel mais potente no Brasil (a Ranger de 250 cv é V6). O câmbio é automático de oito marchas.
Versatilidade da cabine da Kia Tasman é ponto positivo; há um porta-objetos acima do porta-luvas
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A potência específica de 97 cv/l supera com folga a Hilux, que extrai 204 cv de um propulsor 2.8. Uma contrapartida é o torque mais baixo, de 45 kgfm. Ainda assim, segundo a Kia, a Tasman faz 9,5 km/l na cidade e 10,9 km/l na estrada e vai de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos. O desempenho é um pouco pior que o da S10, mas melhor que o das demais rivais a diesel de quatro cilindros.
Em nosso rápido teste, entre plantações de uva e enormes rochas, mal passamos de 50 km/h. Uma análise mais profunda de acelerações e retomadas fica para a próxima, mas posso dizer que a Tasman é uma das picapes médias mais silenciosas e suaves que já dirigi. Mesmo acelerando com mais vontade, o conforto acústico permanece quase inalterado.
Destaco também o belo trabalho da Kia na construção da cabine. O uso de diferentes coxins ajuda a reduzir a incômoda sensação de pula-pula, tão comum em picapes de chassi sobre longarina. Devido ao curto contato, não foi possível fazer uma avaliação apropriada da vivência na segunda fileira, mas o espaço interno é muito bom, graças ao entre-eixos de 3,27 metros. E há um compartimento de carga de 45 litros sob o banco traseiro.
Console central da Kia Tasman GL tem seletor de tração, portas USB e carregador por indução
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Fazer uma conversão à esquerda em uma estreita porteira me levou a perceber duas coisas: a primeira é que a carroceria torce bem menos do que o esperado; a segunda, o diâmetro de giro de meros 11,5 metros, menor que o de uma Ram Rampage, facilita muito as manobras.
E olha que a Tasman, com 5,41 m de comprimento, tem 6 cm a mais que uma Ranger. Caçamba (1.173 litros) e capacidade de carga (1.007 kg) ficam na média do segmento, mas a Kia garante uma capacidade de imersão de 80 cm, igual à da Ranger, líder nesse quesito, e notável em um país de enchentes.
Kia Tasman GL tem um compartimento sob o banco traseiro
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Fim do nosso curto teste. Aproveito para observar o excelente padrão de acabamento da Kia Tasman. Os bancos mesclam imitação de couro e tecido e quase todos os painéis são revestidos de plástico emborrachado. Desembarco da picape e aproveito para, finalmente, olhar para o desenho externo.
É… Fica até difícil entender as soluções visuais tão fora do convencional. De fato, os coreanos do grupo Hyundai-Kia não têm medo de arriscar, nem das críticas. O Hyundai i20 que o diga. Porém, como diz outro ditado, “quem ama o feio, bonito lhe parece”.
Assim, a Kia Tasman tem potencial para compensar o visual exótico com um pacote de conforto, suavidade, preço, equipamentos e acabamento capaz de conquistar, sim, o conservador comprador de picapes médias. Mais difícil do que se acostumar com seu design talvez seja convencer os fiéis donos de Ranger, Hilux e S10 a trocar de marca. Mas não é nenhum absurdo imaginar que a Tasman possa roubar clientes de outras picapes consideradas “outsiders”.
Pontos positivos: Silêncio do motor; pulos contidos da cabine; capacidade de manobra
Pontos negativos: Consumo; protetor de caçamba e estribos laterais como acessórios
Kia Tasman GL
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