Baic: nova marca chinesa no Brasil é parceria da Hyundai e ‘dona’ da Mercedes


O Festival Interlagos voltou a ser um espaço dominado pelas marcas chinesas. As que já estão estabelecidas no Brasil — BYD, GWM, Geely, MG, Jetour, Omoda e Jaecoo — lançaram seus novos modelos e revelaram os planos para o futuro. Houve também a apresentação de quatro novas marcas que estão fazendo suas estreias por aqui: DFM, iCaur, IM e a Baic.
Autoesporte já repercutiu os lançamentos da Baic para o mercado brasileiro, anunciados durante o evento realizado em São Paulo (SP). Nosso objetivo aqui é proporcionar um panorama mais detalhado sobre como a marca se posiciona, quais são suas estratégias, o que pode surgir em termos de fábrica no Brasil e o que esperar para os próximos anos.
A Baic (sigla para “Beijing Automotive Industry Corporation”) foi fundada em Pequim em 1958 e está entre as marcas de carro mais antigas e conceituadas da China. Como outras empresas do setor, iniciou a produção local utilizando a base de carros e veículos utilitários soviéticos.
Nos anos 80 e 90, iniciou-se um processo de internacionalização na indústria chinesa. Fabricantes de outros países que tivessem interesse em ingressar no mercado interno teriam de, impreterivelmente, criar uma joint venture com uma empresa local. Foi o caso da Saic, que fez acordos com Volkswagen e General Motors.
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A Baic anunciou sua parceria com a Hyundai em 2002, criando a Beijing Hyundai. Em uma fábrica localizada no interior de Pequim, a empresa chinesa cuida do desenvolvimento e da produção de modelos da marca coreana vendidos no mercado interno (Elantra, Santa Fe, Tucson e outros).
Hyundai Santa Fe vendido no mercado chinês é produzido em uma joint venture com a Baic
Divulgação/Hyundai
Em outra cartada pela expansão internacional, a Baic adquiriu 5% da Daimler — a dona da Mercedes-Benz — em julho de 2019. Essa fatia foi elevada com a aquisição de 9,9% das ações do conglomerado alemão em 2022. Mas nem toda experiência internacional da Baic rendeu frutos.
Isso porque a Baic adquiriu a sueca Saab, que pertencia à General Motors, numa tentativa de ensaiar uma investida no mercado europeu. Isso ocorreu em 2009, mesma época em que a Saic comprou a MG Motor (2007) e a Geely adquiriu a Volvo (2010). Porém, se estes dois outros exemplos foram prósperos, a empresa chinesa não conseguiu reverter a grave crise em que a Saab se encontrava, o que levou ao fim da operação em 2016.
Baic cresceu e se tornou uma gigante na indústria de automóveis da Ásia
Divulgação
Hoje, a Baic é uma gigante que desenvolve automóveis, comerciais leves, caminhões, máquinas agrícolas e até utilitários de guerra fornecidos ao exército chinês. Seu melhor resultado foi em 2021, quando emplacou 1,72 milhão de carros na China, tornando-se a quinta maior empresa do setor automotivo do país naquele ano. Embalada pelo sucesso de BYD e GWM, a marca desembarca no Brasil com grandes expectativas.
Baic chega ao Brasil
A Baic já confirmou o lançamento de 10 carros novos até 2028 e revelou os primeiros passos para ter uma fábrica no Brasil. O objetivo é que a operação brasileira seja a maior fora da China, onde a marca pretende buscar o “top 10” em vendas até 2028.
Além dos modelos Arcfox T1 e T5, ambos elétricos e já expostos no estande da marca no evento, a Baic confirmou o lançamento de outros 10 carros até 2028. Estes serão divididos entre as submarcas Baic (SUVs híbridos), Arcfox (crossovers) e Stelato (modelos de luxo) — essa última com lojas exclusivas, separadas da rede convencional.
Baic Arcfox T1 bai brigar com BYD Dolphin, Geely EX2, GAC Aion UT e MG4 Urban
André Paixão/Autoesporte
Por enquanto, somente as marcas Baic e Arcfox serão vendidas no Brasil. Já a Stelato será apresentada no país daqui dois anos. A rede de concessionárias possui 50 lojas em processo de abertura, com inauguração prevista para dezembro. Inicialmente, serão vendidos os hatch compacto T1 e o SUV médio T5. Até o fim do ano que vem, a marca espera operar com 150 pontos de venda.
A Baic confirmou que terá uma fábrica no Brasil com operação no arranjo “peça a peça” — o mesmo adotado pela GWM. No entanto, a marca chinesa não divulgou o local de produção, se a montagem ocorrerá por uma parceria, se pretende adquirir uma fábrica ociosa ou até construir uma unidade do zero. Autoesporte apurou que, apesar da confirmação da montagem nacional, a marca ainda busca parceiros.
Foi dito ainda que o Baic X 55 será o primeiro SUV híbrido flex da marca, com lançamento previsto para 2028. A partir daí, todos os outros carros híbridos da família “X” serão atualizados para se tornarem compatíveis com o etanol brasileiro.
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Como são os carros
No box da Baic, há um exemplar do T1 e outros dois do T5. O modelo menor é um hatch compacto que será rival de BYD Dolphin, Geely EX2, GAC Aion UT e MG4 Urban. Nas medidas, está mais próximo deste último. São 4,34 metros de comprimento, 1,86 m de largura, 1,57 m de altura. O entre-eixos tem tudo para ser o maior do segmento, com 2,77 m. Nesta dimensão, é maior até do que um Toyota SW4.
Baic Arcfox T1 chama atenção pela distância entre-eixos de 2,77 metros
André Paixão/Autoesporte
Já a bateria do T1 é de 42,3 kWh de capacidade. Ainda que a potência não tenha sido apresentada, a configuração chinesa com este pacote é a que traz motor elétrico dianteiro de 95 cv e 17,8 kgfm de torque. Na China, a versão tem 425 km de autonomia. No interior, além do amplo espaço interno, o acabamento é compatível com o de rivais do segmento.
Baic Arcfox T1 tem painel digital e central multimídia de 15,6 polegadas
André Paixão/Autoesporte
Entre os itens de tecnologia e segurança, a Baic promete pacote Adas nível 2, teto solar panorâmico, quadro de instrumentos digital de 8,9 polegadas, central multimídia de 15,6 polegadas, carregador de celular por indução e banco do motorista com ajustes elétricos. Há saída de ventilação e uma porta USB para os ocupantes do banco traseiro.
Na dianteira, Baic Arcfox T5 chama atenção pelos faróis pontiagudos que avançam sobre o para-choque
André Paixão/Autoesporte
Posicionado no segmento dos SUVs médios com propulsão elétrica, o T5 será mais um rival para Leapmotor C10, BYD Yuan Plus e Geely EX5. Tem 4,69 m de comprimento, 2,85 m de entre-eixos, 1,94 m de largura e 1,65 m de altura.
Também sem informação de motorização, podemos presumir que, por conta da bateria de 74,4 kWh, o motor será dianteiro de 272 cv e tração também nas rodas da frente. No generoso ciclo chinês, a autonomia é de 660 km.
Na traseira, Baic Arcfox T5 tem lanternas interligadas e que ocupam toda a largura do carro
André Paixão/Autoesporte
Neste caso, além dos itens do T1, o T5 traz cabine com acabamento mais caprichado, com praticamente todas as superfícies revestidas de couro. A abertura das portas é elétrica por botão. Curiosamente, não há quadro de instrumentos. As informações são exibidas na própria central multimídia.
Baic Arcfox T5 tem painel com design minimalista que dispensa quadro de instrumentos e foca tudo na tela multimídia
André Paixão/Autoesporte
Por último, o B30 (na China, conhecido como BJ30) não foi exibido em Interlagos, mas foi confirmado para 2027. É um SUV ao melhor estilo jipinho e deve marcar a entrada da Baic entre os híbridos. Tem faróis com aros arredondados, mas todas as demais linhas são bastante quadradas, demonstrando muita personalidade.
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Na China, há versões apenas a combustão ou híbrida plena, com tração nas duas ou quatro rodas. A opção eletrificada do B30 traz até uma inusitada configuração com dois motores elétricos, um em cada eixo.
Baic BJ30 está confirmado para o Brasil e chegará às lojas em 2027
Divulgação
Neste caso, são 409 cv e 69,9 kgfm de torque, gerenciados por um câmbio DHT que combina marchas físicas e o motor elétrico para preencher as demais relações. Mesmo com todo peso e atrito adicionais da tração integral, o consumo homologado é de 15,5 km/l.
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