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Relembre o ônibus futurista da Volvo que parou o trânsito de São Paulo

30/08/2026
Relembre o ônibus futurista da Volvo que parou o trânsito de São Paulo


Há quase 30 anos, em outubro de 1997, quem passava pela Avenida Paulista, em São Paulo (SP), levava um susto: uma espécie de veículo marciano rodava por ali, impávido, para espanto geral. A explicação mais plausível de quem o viu era de que um ônibus vindo do futuro havia entrado em alguma máquina do tempo e foi parar ali, sabe-se lá como.
Bem, de certa forma era isso mesmo. Tratava-se do Volvo ECB (sigla para Environmental Concept Bus), um conceito totalmente funcional construído pela fabricante sueca em 1995. O veículo usava motorização híbrida gás-elétrica — o que movimentava as rodas traseiras era um motor elétrico alimentado por baterias, que eram recarregadas por um gerador movido por uma turbina a gás que, por sua vez, funcionava com etanol.
Como o Brasil era o único país onde havia etanol em qualquer posto de combustível, a matriz teve a ideia de mandar o ECB para cá para alguns testes e, é claro, promover algumas ações de propaganda.
Abastecendo com etanol nas também futurísticas bombas em T dos postos BR da época
Reprodução/Acervo Miau
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O “busão do futuro” veio de navio direto da Suécia e foi transportado do porto até a fábrica da Volvo, em Curitiba (PR), de caminhão. Depois de circular durante algum tempo dentro da própria unidade, recebeu sinal verde para dar umas voltas pela cidade, onde, inclusive, fez bico em linhas regulares, transportando passageiros — a capacidade total era de 80 pessoas, mas só 28 sentadas.
Os curitibanos, é claro, achavam que estavam sonhando: primeiro, porque o ônibus quase não fazia barulho, pois na maior parte dos trajetos urbanos só o motor elétrico funcionava; segundo, porque o design era totalmente fora dos padrões da época, incluindo posição central para o motorista, isolado do salão, além de um conforto sem igual, com sistema de “ajoelhamento” para entrada e saída e piso baixo e plano, coisas que há três décadas ninguém imaginava, ainda mais em um ônibus urbano. Já mencionamos as câmeras que substituíam os espelhos retrovisores, tanto os externos quanto o interno?
Depois do rolê curitibano, o ECB foi (também de caminhão) para São Paulo, onde ficou exposto no estande da marca na feira Brasil Transpo — atual Fenatran. A viagem de volta para a Suécia já estava marcada; porém, antes disso, ainda havia um tempinho para mais um passeio.
Em frente ao Masp, mais poses para fotos, com direito a espanto geral dos passantes
Reprodução/Acervo Miau
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Aí, simplesmente, o ônibus futurista circulou livremente pela Avenida Paulista, em pleno domingo — a via passou a ser fechada para carros e voltada ao lazer somente em 2015 —, e literalmente parou o trânsito. O mais interessante era observar a diferença chocante do estilo do veículo para os demais, mesmo os automóveis, inclusive aqueles lançados então há pouco tempo, como o Fiat Palio ou o Chevrolet Corsa.
Além de circular em meio ao trânsito, ocorreram dezenas de paradas para fotos oficiais da imprensa e extraoficiais dos passantes, em algumas idas e vindas pela Paulista. E, então, a bateria do ECB começou a acabar. E agora? Nem se existissem carregadores para veículos elétricos naquele tempo adiantaria algo, pois o ônibus não tinha a tecnologia para receber recarga externa. Mas… sem problemas: entrou em cena o fantástico poder de adaptação do brasileiro.
Basicamente, conseguiram manobrar o ônibus de forma que ele entrasse em um apertado posto de combustíveis da Rede Lavabem na esquina da Avenida Paulista com a Rua Pamplona (demolido anos mais tarde para ser transformado em uma farmácia). O espaço, evidentemente, jamais foi projetado para receber um ônibus estacionado ali para abastecer — ainda mais um que parecia ter vindo do futuro. Foi só encher o tanque com álcool (ops, etanol) e seguir viagem.
De volta à Europa, o ECB foi exibido em mais algumas demonstrações e depois teve um merecido descanso, por muitos anos, no Museu da Volvo, em Gotemburgo. Só que o local fechou em 2023, substituído por uma atração mais genérica, chamada World of Volvo, e o ônibus nunca entrou em exposição. No momento, encontra-se guardado em algum gélido lugar por lá, possivelmente sonhando e relembrando o inacreditável passeio pela Avenida Paulista, no tropical Brasil, onde há etanol em qualquer posto…
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