Projeção: Volkswagen Tukan híbrida quer cobrir pontos fracos da Fiat Toro


A Volkswagen Tukan, sucessora da Saveiro, é um projeto da marca alemã para concorrer com as Fiat Strada e Toro simultaneamente no mercado brasileiro. Quando entrevistado com exclusividade por Autoesporte em setembro do ano passado, o CEO global da marca, Thomas Schäfer, já havia afirmado que ela teria a missão de ser uma picape de trabalho e “lifestyle” ao mesmo tempo.
Na semana passada, revelamos como será o visual da Volkswagen Tukan cabine simples. É a opção com motor 1.6 MSI que se chamará Robust — e que deve ter uma opção movida apenas a etanol. Terá suspensão traseira por eixo rígido com molas semielípticas, além de porte maior e uma caçamba com volume generosa e porte, o grande trunfo para concorrer com a Strada de um jeito que a Saveiro jamais conseguiu.
Projeção: Volkswagen Tukan cabine simples terá motor 1.6 MSI aspirado flex ou só a etanol
João Kleber Amaral/Autoesporte
Agora, nossa reportagem revela em primeira mão, com projeções exclusivas de João Kleber Amaral, usando recursos de inteligência artificial para criar uma melhor ambientação, como será o design da futura Tukan cabine dupla, incluindo a pintura “amarelo Canário” que será a cor de lançamento da picape intermediária.
Projeção: Volkswagen Tukan Cabine Dupla será vendida na cor de lançamento “amarelo Canário”
João Kleber Amaral/Autoesporte
Lembrando que a Volkswagen Tukan deve ter o visual externo revelado ainda em 2026, mas o lançamento efetivo nas lojas ocorrerá apenas no primeiro trimestre de 2027, com produção em São José dos Pinhais (PR). Conforme já confirmado pela marca, a picape será o primeiro modelo híbrido flex de produção nacional da fabricante no Brasil, dentro do ciclo de investimentos de R$ 20 bilhões da empresa na América do Sul até 2028.
A escolha pela fábrica paranaense tem relação com a produção do T-Cross, com quem a picape compartilhará toda a estrutura dianteira da carroceria monobloco, a partir da plataforma MQB A0. Da ponta do para-choque frontal até o fim das portas laterais dianteiras, todo o underbody, as chapas estruturais de aço, as colunas A e B, o para-brisa, motorização, suspensão, freios e cubos de roda dianteiros usados pela picape virão do SUV compacto.
Volkswagen Tukan terá carroceria monobloco com estrutura herdada do T-Cross até a coluna B
João Kleber Amaral/Autoesporte
Isso quer dizer que a picape intermediária será o primeiro produto a usar o motor 1.5 TSI Evo2 flex com sistema híbrido leve (MHEV) de 48 Volts, inicialmente importado do México. São 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque, com câmbio automatizado DSG de dupla embreagem e sete marchas. Uma opção híbrida plena (HEV) com esse mesmo propulsor está no radar, mas só em uma segunda fase do projeto.
Novo motor Volkswagen 1.5 TSI Evo2, que no Brasil será flex
Divulgação
A escolha por uma especificação híbrida leve pode frustrar, especialmente quando se observa que a nova Fiat Toro MHEV não proporciona uma economia tão grande assim em consumo de combustível. No Inmetro, a picape levemente eletrificada da Stellantis faz 10,5 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada com gasolina. Quando abastecida com etanol, os números caem para 7,3 km/l em ciclo urbano e 7,6 km/l no rodoviário. É pouco para um veículo dito “híbrido”.
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No caso da Tukan, a Volkswagen adotou duas estratégias para tentar reverter a questão e entregar um consumo de combustível melhor com o sistema de 48 Volts. Primeiro, a picape intermediária da marca alemã será menor e mais leve, com dimensões similares às de uma Chevrolet Montana: cerca de 4,75 metros de comprimento, 2,80 m de entre-eixos, menos de 1,80 m de largura e 1,70 m de altura.
Além disso, diferentemente dos conjuntos híbridos leves de 12V e 48V da Stellantis, no da Volkswagen o motor 1.5 TSI Evo2 flex já chegará desenvolvido para operar em ciclo Miller e não no convencional ciclo Otto. Neste ciclo, as válvulas de admissão ficam abertas por mais tempo durante o início da compressão, para recuperar parte da mistura ar-combustível e, assim, gerar um curso de expansão maior que o de compressão e aumentar a eficiência energética.
Volkswagen Tukan terá porte similar ao da Chevrolet Montana
João Kleber Amaral/Autoesporte
Motores de ciclo Miller entregam potência e torque menores que os de ciclo Otto com o mesmo deslocamento, mas é aí que entra o sistema híbrido leve, com um motor elétrico para compensar essa perda nas acelerações e retomadas a cargas mais altas. Por isso, apesar de ter 1,5 litro, ou seja, uma capacidade cúbica maior, o TSI Evo2 da Volkswagen entrega os mesmos 150 cv e 25,5 kgfm do atual 1.4 TSI, só que com muito mais eficiência energética.
Fontes consultadas por Autoesporte afirmam que a expectativa da Volkswagen é que a Tukan 1.5 TSI de 48 Volts tenha um consumo de combustível aproximadamente 30% superior ao da Toro em todas as provas do Inmetro, aproximando-se de 10 km/l com etanol e dos 14 km/l com gasolina na estrada.
Volkswagen Tukan Cabine Dupla terá rodas aro 17 com cinco furos, aproveitando os cubos e a suspensão dianteira do T-Cross
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Segundo a Volkswagen do Brasil, a nova Tukan já nascerá com 76% de peças nacionais. Conforme também antecipado por Autoesporte, a suspensão traseira da Tukan usará uma arquitetura formada por eixo rígido ômega com molas semielípticas. Aqui está outro trunfo da novata diante da líder do segmento.
A solução tem a função de aumentar a robustez e a capacidade de carga do modelo, cumprindo as exigências do consumidor que busca uma caminhonete para o trabalho diário, especialmente nas versões que terão cabine simples. É o mesmo conjunto usado na Fiat Strada.
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A Tukan apresentada com camuflagem a jornalistas recentemente trazia rodas de liga leve de 17 polegadas com pneus 205/55 R17 — e o estepe na parte de baixo da picape. Os freios são a tambor, conforme observado pela nossa reportagem durante um flagra da Tukan em março.
A Volkswagen Tukan terá início da produção no final desse ano e vai oferecer versões de cabine dupla e cabine simples, que serão voltadas para o trabalho, como revelamos em um especial sobre o projeto Udara — nome utilizado antes da oficialização do Tukan. Uma confirmação é que a cor Amarelo Canário será a de lançamento da picape.
Mesmo na versão cabine dupla, Volkswagen quer que a Tukan ser referência em capacidade de carga
João Kleber Amaral/Autoesporte
O volume e a capacidade da caçamba não foram revelados, mas, para efeito de comparação, a Saveiro tem 580 litros e 638 kg, respectivamente. O que sabemos é que a abertura da tampa na Tukan será por um puxador no logotipo da marca.
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