Teste: BMW X7 é SUV gigante de R$ 1 milhão que até estaciona sozinho


No ano passado, escrevi um teste do BMW X5 híbrido plug-in (PHEV) no qual fiz um desabafo sincero dizendo que “nem sempre é fácil para nós, jornalistas mortais, avaliar um carro de quase R$ 800 mil”. Passados nove meses dessa avaliação, outro BMW veio para as minhas mãos. Dessa vez, porém, foi um X7 de nada menos que R$ 1 milhão.
Para ser mais exata, a etiqueta do BMW X7 xDrive40i M Sport, única versão do modelo vendida no mercado brasileiro, é de R$ 1.026.950. Esse valor o deixa mais barato que seu principal rival: o Mercedes-Benz GLS, que custa R$ 1.044.900. E já adianto que não é só na cifra que o BMW impressiona, afinal oferece tanta tecnologia que me tomou alguns bons dias para descobrir tudo o que ele é capaz de fazer. Ouso dizer que, se eu tivesse mais tempo, estaria desvendando outros segredos desse SUV gigante até agora.
O X7 chega a ser até intimidador pelo tamanho. Desenhado para levar até sete pessoas, mede 5,18 metros de comprimento, meros 3 centímetros a menos que o GLS. Então, pode-se imaginar um espaço interno generoso. Mas, antes de entrar em mais detalhes, devo dizer que esse SUV, ao menos em minha opinião, é um dos carros mais harmoniosos e bonitos da marca no momento. Com certeza não passa despercebido, algo que notei enquanto o dirigi pelas ruas de São Paulo.
Não houve quem não quisesse dar “aquela olhada”, notando os fortes vincos no capô, a tradicional grade duplo-rim (que divide opiniões e gostos), os faróis de LED afilados e o para-choque muito robusto. As rodas de liga leve de 22 polegadas calçam pneus de medidas diferentes na dianteira e na traseira, uma solução de engenharia que visa garantir estabilidade direcional e tração superior, algo crucial para um veículo que pesa 2.415 kg e tem 3,10 m de entre-eixos.
Na traseira, o visual mais retilíneo e “quadradão” não abre mão da imponência, com saídas de escapamento que entregam a veia esportiva da divisão M Sport.
BMW X7 é vendido em versão única no Brasil com veio esportiva da divisão M Sport
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Em um carro tão grande e caro como o X7, o mais importante sempre é a experiência que ele entrega. No caso dele, a BMW não quer apenas levar sete pessoas do ponto A ao B; quer, sim, isolá-las do mundo em um universo que poucos mortais têm o privilégio de acessar. Na cabine, o passageiro nem se lembra da existência de plástico, já que Alcântara e couro imperam.
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Na terceira fileira, até adultos de estatura média encontram conforto. E não há economia de mimos como portas USB-C, iluminação ambiente, porta-copos e até uma abertura exclusiva do teto solar, que tem uma parte específica para quem vai lá atrás.
BMW X7 xDrive40i M Sport tem suspensão pneumática de série
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A versatilidade é outro ponto alto. Mesmo com os sete assentos em uso, o porta-malas dispõe de 300 litros, capacidade similar à de um Volkswagen Polo. Ao rebaixar a terceira fileira e rodar com cinco lugares ocupados, o volume salta para 750 litros. E então vêm algumas soluções que eu, particularmente, achei geniais. Uma delas é o engate elétrico de reboque, que surge assim que se pressiona um botão no lado direito do interior do porta-malas.
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Por falar no bagageiro, a tampa é dividida em duas partes: a tradicional, superior, e também uma inferior, que pode ser aberta ao toque de um botão. Ao lado encontra-se outro botão, este para abaixar a suspensão pneumática, que faz a carroceria descer até 2 cm para ajudar no acesso. Já na lateral do compartimento, alguns comandos permitem rebater eletricamente os assentos da segunda e da terceira fileira, tudo de forma muito prática. Manual, mesmo, só a abertura das portas dos passageiros, pois até o rebatimento da fileira do meio para acessar a última fila de assentos é automático.
BMW X7 vem equipado com head-up display de série e tem uma espécia de Alexa embutida
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No cockpit está o crème de la crème, como diria minha mãe: o conjunto de telas curvadas que agrega o painel de instrumentos e a central multimídia de 14,9 polegadas em uma única peça. A interface é intuitiva, mas o que realmente encanta são as funcionalidades de conveniência. O menu Status, por exemplo, elimina a necessidade de folhear manuais físicos, já que qualquer alerta no painel é explicado na tela, com as soluções recomendadas.
E assim o luxo se manifesta nos detalhes extravagantes. O sistema de ar-condicionado, por exemplo, tem não duas nem três, mas sim cinco zonas independentes, de modo que cada ocupante — até os da terceira fileira — pode escolher seu microclima. Se o silêncio na cabine não for o desejado, o sistema de som com 36 alto-falantes envolve bem o ambiente. Já o assistente de voz, que funciona como uma Alexa, permite controlar várias funções do carro.
BMW X7 xDrive40i M Sport tem espaço para sete passageiros e é confortável graças aos 3,10 metros de entre-eixos
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A lista de curiosidades continua nos porta–copos, que podem ser aquecidos ou resfriados, bem como nos bancos com ventilação, aquecimento e massagem, ajustáveis em diferentes partes, desde a lombar até os ombros.
O mais legal, porém, é o recurso Parking Assist. Este nada mais é que um assistente de estacionamento que, usando as câmeras 360 graus de excelente qualidade e os diversos sensores, identifica a vaga e consegue estacionar sozinho, assumindo totalmente o controle. Claro que a operação nem sempre é perfeita e o motorista precisa estar atento; mas, nas três vezes que testei, em apenas uma precisei dar mais uma ré para encaixar perfeitamente na vaga.
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Dito tudo isso, lá fui eu dirigir o BMW X7 de mais de R$ 1 milhão, equipado com uma motorização híbrida leve (MHEV) que alia o conhecido motor 3.0 biturbo de seis cilindros em linha a um sistema auxiliar de 48 Volts. O resultado são 381 cv de potência e 55 kgfm de torque combinados, que justificam a aceleração oficial de zero a 100 km/h em apenas 5,8 segundos, marca surpreendente para um carro desse tamanho e peso. Para ter uma ideia, o X7 consegue ser mais rápido que um Volkswagen Jetta GLI, que faz o mesmo em 6,6 s.
BMW X7 tem capacidade para 300 litros no porta-malas com todos os sete assentos em uso
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A dinâmica de condução é excelente e, embora o X7 tenha aceleração vigorosa, é um dos carros mais confortáveis que dirigi. Mas… atenção, pois os limites de velocidade podem ser facilmente alcançados se o condutor se empolgar com o pedal do acelerador. Em contrapartida, as trocas muito perceptíveis do câmbio ZF de oito marchas e a leve dificuldade de esterçar (são 12,4 m de diâmetro de giro) me fizeram lembrar que estava em um SUV grandalhão. Pelo menos a direção precisa e a tração integral deixam toda a fórmula mais bem encaixada.
Um dos destaques, como já disse, é a suspensão a ar. Além de rebaixar a carroceria em 2 cm, ela pode subi-la até 4 cm, o que auxilia a transpor vias mais irregulares. Justamente por isso, fiquei me perguntando por que o eixo traseiro não é esterçante, função disponível no sedã i7 e que ajudaria muito bem o SUV no dia a dia… Pelo menos a direção mais direta compensa.
BMW X7 xDrive40i M Sport tem conjunto híbrido leve com sistema de 48 V
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No quesito segurança, além dos seis airbags e do sistema Adas de assistência ao motorista, o X7 2026 traz outro recurso muito bacana: o Driving Assist — diga-se de passagem, um dos melhores que já testei. O carro basicamente assume o controle em rodovias, acelerando, freando e desviando de obstáculos. Por razões legais e de segurança, o motorista precisa ficar com as mãos no volante. E eu recomendo que você fique! Caso contrário, o carro vai cobrar que retome a ação.
O consumo, em virtude do peso e da potência, é honesto e ajudado pelo sistema híbrido leve: médias de 8 km/l na cidade e 8,7 km/l na estrada, de acordo com o Inmetro. Claro que tudo depende do modo de condução e do peso carregado. No período que passei com o carro, não passei de 7,2 km/l na cidade. Não que essa seja uma grande preocupação do comprador de um modelo desse valor.
Ao fim do teste, a sensação que fica é de que a BMW conseguiu equilibrar a dinâmica mais esportiva e precisa que se espera de um carro da marca em um SUV com espaço familiar e tecnologia de ponta. Fiquei até com dó de devolvê-lo. Só que mantê-lo exige um investimento grande, já que só a cesta de peças tem um custo de R$ 193.087. Para quem pode, o BMW X7 consegue impressionar mais ainda do que eu esperava. E assim se vai mais um teste desafiador. Fico pensando qual será o próximo milhão…
Pontos positivos: Desempenho; alto nível de tecnologias para conforto e amplo espaço;
Pontos negativos: Falta do eixo traseiro esterçante, que facilitaria as manobras.
BMW X7 xDrive40i M Sport
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