Fiat Spazio foi a versão mais luxuosa do 147 que já existiu


Se a evolução do Fiat 147, em 1980, com a frente “Europa”, surpreendeu, a de agora foi muito importante: o Spazio chega em boa hora, para enriquecer o mercado. O novo modelo conta com um design que não deixa a desejar em relação ao dos países de vanguarda, tendo despertado muita atenção por onde passou durante o teste.
Spazio foi o nome escolhido para designar um novo modelo, enquanto o tradicional 147 permanecerá apenas para a versão básica, a 147 C, que permanece inalterada, à exceção da tampa traseira com maior área envidraçada, compartilhada com o Spazio.
A nova aerodinâmica
Há uma redução anunciada de 10% no coeficiente de resistência aerodinâmica (Cx), que deveria acarretar melhor desempenho e economia, esta ajudada pelo câmbio de cinco marchas opcional, ao preço de Cr$ 40 mil. Na realidade, o Spazio CLS a álcool testado (o CLS substitui o Top como a versão mais cara da gama) teve um desempenho ligeiramente inferior ao 147 CL a álcool analisado por AE em julho de 1982, sendo provavelmente uma questão de deficiência específica do modelo fornecido pela fábrica. Além disso, constatamos um peso em ordem de marcha aferido de 832 kg, 22 kg acima do declarado.
Outra novidade do Spazio era a oferta de câmbio de 5 marchas, porém opcional
Autoesporte/Acervo Miau
A isso junte-se a menor redução do diferencial – que passou de 1:4,076 para 1:3,764 – e temos aí uma possível explicação para os resultados encontrados. O novo câmbio de cinco velocidades à frente tem a quinta marcha dentro do princípio muito utilizado nesses tempos de combustíveis caros: grande multiplicação para tornar possível o funcionamento do motor em rotações vizinhas à de torque máximo, a velocidades da ordem de 100 km/h.
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A consequência deste artifício é a redução da velocidade máxima possível do veículo nessa marcha – a força de tração torna-se demasiadamente baixa para vencer a resistência ao avanço – obrigando o uso da quarta marcha para atingi-la. E foi o que aconteceu com o Spazio: a quarta chegava a 138 km/h e a quinta a 136 km/h somente (reais).
Vale a pena assinalar que a 80 km/h em quinta o motor do Spazio está girando a apenas 2.450 rpm, e a 100 km/h um pouco mais, 3.000 rpm (em quarta são 2.930 rpm e 3.665 rpm, respectivamente). O resultado é mais economia e maior silêncio no interior.
Surpreendentemente a Fiat alongou os diferenciais dos câmbios de cinco marchas, quando o normal nesses casos é manter tudo igual e acrescentar uma quinta marcha com relação de transmissão própria para economia: 1:0,796, por exemplo. Isto talvez explique a menor aceleração, já que as três primeiras marchas do Spazio se tornaram mais velozes, porém reduzindo a força de tração de cada uma.
Muitas alterações
Além do conjunto de faróis renovado, o logotipo azul na grade também era novidade
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O Spazio é diferente. A nova dianteira lhe confere um ar de carro atual, sem qualquer conotação de cópia. Apresenta inclinação para trás, o oposto da versão anterior. Na grade vê-se um novo logotipo, que segundo a Fiat se estenderá à produção italiana dos modelos 1983.
Na traseira, uma área envidraçada maior em cerca de 20% e novas lanternas de desenvolvimento horizontal tornaram o conjunto mais elegante.
As borrachas de vedação do para-brisa e vidro traseiro possuem frisos, que foram adotados também nas calhas do teto. As rodas possuem calotas – pela primeira vez desde o lançamento do 147 – e foi escolhida a roda tipo standard, uma decisão acertada: é mais leve que a tipo luxo normalmente montada nas versões mais sofisticadas.
Outra mudança significativa é a recolocação das saídas de ar viciado, que passaram da extremidade da janela traseira para as portas, mantendo a excelente aeração interna do Fiat. Os quebra-ventos têm agora seus fechos colocados à frente, e não possuem mais moldura, porém continuam pouco eficientes.
O Spazio por dentro
O painel era inteiramente novo, porém saiu de cena o conta-giros
Autoesporte/Acervo Miau
O painel é inteiramente novo. Há um relógio analógico de quartzo à esquerda, e dois difusores de ar retangulares no centro do painel. Os instrumentos, porém, resumem-se ao essencial, tendo sido suprimido o conta-giros por se tratar o CLS de uma versão luxuosa, segundo a Fiat
O controle da temperatura da água é feito por um termômetro. Para nosso espanto o CLS não possui odômetro parcial, e o total não tem leitura de 100 metros. Curioso também é a supressão do aquecedor da lista de opcionais, como se não houvesse regiões frias no Brasil.
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O comutador de luzes deixou de ser tipicamente Fiat, passando a “desligado-lanternas-faróis”, enquanto a manete comutadora só tem agora duas posições: alto e baixo. Mas foi mantido o excelente comutador de ignição, que interrompe a corrente para os faróis durante a partida e ao desligar-se o motor, que bem poderia ser imitado pelas demais montadoras.
Os bancos têm novos padrões de estampagem e novas estruturas, que os tornaram mais confortáveis.
: Bancos mais confortáveis e com novo tecido eram outra diferença do Spazio
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Como anda o Spazio CLS
Continua o excelente comportamento, dos melhores no cenário nacional. Houve uma redução da altura livre na suspensão traseira, explicada pela Fiat como mera otimização das tolerâncias de fabricação envolvendo mola e buchas silenciosas. O rodar tornou-se mais macio, tendo sido atenuados os “socos” ao passar por valetas e obstáculos semelhantes.
Veículo neutro com limite de aderência elevado permite erros mesmo em piso molhado: o motorista médio jamais será apanhado de surpresa. A mudança de característica com potência/sem potência é discreta. É altamente elogiável terem sido mantidos os estreitos pneus 145-SR-13, que cumprem sua função perfeitamente sem ocasionar perdas por atrito desnecessárias.
Diferenças estéticas também na traseira, com vidro maior e novas lanternas
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Lamentavelmente foi alterada a redução do sistema de direção, obrigando o motorista a girar mais o volante para o mesmo ângulo de esterço das rodas. A nova redução é 1:21,5 (antiga era 1:17,8), tendo passado o número de voltas batente a batente de 3,4 para 3,8. A facilidade para dirigir em estradas e ruas sinuosas foi muito prejudicada por essa mudança, que classificamos de mal avaliada, mas que é possível de ser cancelada a qualquer tempo.
A altura do volante foi reduzida, numa tentativa – em vão – de diminuir a sua inclinação com a vertical, pois a forma como foi feita – abaixando a coluna completa – alterou o ângulo original muito pouco, além de tornar o volante muito baixo em relação ao banco. O volante, por sua vez, é o Bertone de “V” invertido, cada vez mais difundido aqui e no resto do mundo, mas que deixa muito a desejar quanto à comodidade: não há mais apoio para os polegares.
O consumo
O Spazio CLS substituía o 147 Top como a versão mais cara do compacto da Fiat
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Como dissemos, o CLS testado estava possivelmente fora de padrão. A média geral Autoesporte manteve-se igual à do CL testado na edição de julho de 1982, mas o consumo médio de estrada foi maior – 10,4 contra 11,4 km/l.
Cabe mencionar o menor consumo em quinta, tanto a 80 km/h como a 100 km/h. A 80 km/h tivemos 11,2 km/l em quinta e 10,3 km/l em quarta; a 100 km/h, 10,1 km/l e 8,7 km/l, respectivamente. A melhor aerodinâmica (declarada) e a quinta marcha de economia deveriam ter produzido melhores resultados.
Conclusão
No motor 1.300 poucas mudanças, como vaso de expansão pressurizado
Autoesporte/Acervo Miau
O novo modelo da Fiat deverá ser um forte concorrente em sua faixa. Suas linhas modernas o colocam em boa posição no leque de opções da indústria, como também a opção de um câmbio de cinco marchas o torna ainda mais atraente.
Teste publicado originalmente na revista Autoesporte 216, de novembro de 1982.
RESULTADOS DOS TESTES
Consumo
Instrumentos (km/h)
Desempenho – Aceleração
Desempenho – Retomada
Desempenho – Frenagem
Desempenho – Velocidade
Fiat Spazio CLS 1982 – Ficha técnica
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