Kia Besta era a rival muito mais refinada (e cara) que a Kombi; relembre


Dois anos após a reabertura das importações de automóveis no Brasil, o empresário José Luiz Gandini bolava o plano para a apresentação de sua nova marca, a Kia Motors. Enquanto as fabricantes japonesas lançavam hatches e sedãs, como Corolla e Civic, mais refinados e equipados que os modelos nacionais, a empresa coreana teve a ideia de atacar outro segmento: o de comerciais leves. Assim chegaram, em 1993, a van de passageiros Besta e o caminhãozinho Ceres.
Kia Besta tinha o espaço interno como o seu ponto forte
Renato Durães/Autoesporte
A Besta marcou época — não somente pelo nome inusitado, cercado de histórias engraçadas. Era figurinha carimbada na frente das escolas ao longo dos anos 1990 e 2000 e também se tornou particularmente querida no “transporte informal”. Quem não se lembra das pessoas que ficavam penduradas na porta corrediça gritando nomes de bairros?
Eram segmentos de mercado dominados pela Kombi, que já era o carro mais antigo em produção no Brasil. A Besta chegou custando 90% a mais que a “velha senhora”: partia de US$ 17 mil na versão furgão e alcançava US$ 25 mil nos pacotes mais equipados. Mas de onde veio esse nome tão fora do comum? A resposta é tão simples quanto engraçada.
Bancos dianteiros levavam até três ocupantes
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O nome tem origem na expressão “Best A” (de “melhor”, em inglês, com a letra “A” se referindo à nota). País lusófono que somos, Best A virou Besta, também graças a emblemas com tipografia confusa.
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A verdadeira preocupação da Kia, porém, não dizia respeito à sua conotação pejorativa, mas sim à assimilação bíblica que alguns clientes poderiam fazer, já que o termo é utilizado no Livro do Apocalipse. Quando a primeira unidade foi encomendada por um colégio de freiras, os envolvidos juntaram as mãos e deram “amém”.
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Emblema com o nome da van confundia os brasileiros, que renomearam o veículo por aqui
Renato Durães/Autoesporte
E a vocação “escolar” era justificada: 12 passageiros se acomodavam bem na cabine, cuja disposição era de três pessoas em cada uma das quatro fileiras — contando com um assento central na primeira, entre motorista e passageiro. Para os perueiros, havia uma versão com capacidade para 15 crianças. É a mesma lotação da Kombi, mas a Besta tinha uma sacada para proporcionar mais dignidade aos ocupantes: o posicionamento do motor.
Muitos adultos dos dias atuais foram para a escola em uma Kia Besta nos anos 1990 e 2000
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Se a Kombi usava um motor traseiro que roubava espaço da cabine, a Besta trazia, em seus primeiros anos, o inovador propulsor de 2.184 cm³ a diesel com montagem central, instalado abaixo do banco do passageiro. Dessa forma, a Kia liberou espaço nos balanços dianteiro e traseiro, que foi aproveitado em capacidade cúbica para levar mais ocupantes ou carga.
Motor alocado na cabine melhorou o espaço da Kia Besta
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Autoesporte testou o modelo de 1993 na época de seu lançamento, quando a van coreana precisou de eternos 31,9 segundos para atingir 100 km/h. Por outro lado, sua versatilidade foi reconhecida, pois era possível desparafusar os assentos e transformar a van de passageiros em furgão, ou até rebater todos os assentos para criar uma grande cama.
Kia Besta tinha ar-condicionado e função de ar-quente
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Embora a última geração tenha se despedido do Brasil em 2005, a Besta já tem data para retornar. Isso porque sua proposta de transportar passageiros e carga será resgatada no PV5, novo utilitário elétrico confirmado para ser lançado no país neste ano. Apesar de ter outro nome, chega com uma concepção tão inovadora quanto a da sua predecessora dos anos 1990. De “besta” essa ideia não tem nada…
Painel concentrava os controles de ventilação, vidros elétricos e tinha até acendedor de cigarro
Renato Durães/Autoesporte
Posteriormente, esse motor 2.2 a diesel de 72 cv e 15,4 kgfm foi atualizado para o 2.7 de 80 cv que equipou a primeira geração da Besta até o fim de seu ciclo, em 1997. O modelo das imagens pertence ao acervo da Kia e tem pouco mais de 1.000 km no odômetro.
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Leonardo Felix/Autoesporte
Mantida em condições originais desde então, não estava em condições de rodar. Infelizmente. Era um carro funcional: o reservatório do fluido de freio, por exemplo, foi parar na coluna de direção; já o triângulo e o macaco foram escondidos na porta corrediça.
Kia Besta 1997 – Ficha técnica
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