Teste: Jeep Commander Blackhawk 2026 fica mais equipado e barato; vale?


Dizer que é difícil encontrar um carro de sete lugares com um bom desempenho está longe de ser loucura. Afinal, por serem maiores e, consequentemente, mais pesados, os veículos dessa categoria costumam não arrasar no quesito aceleração. Pensando racionalmente, a proposta familiar geralmente é antagônica à esportividade. Mas o Jeep Commander Blackhawk 2026 é a exceção à regra.
Antes de falarmos sobre como SUV da Jeep se comporta na vida real, é importante ressaltar que o Commander chegou à linha 2026 recentemente com algumas (poucas) alterações no design e itens inéditos. Aliás, essa é a primeira atualização visual do carro desde o lançamento, que aconteceu em 2021 — e foi bem acertada.
Novidades no visual
Jeep Commander Blackhawk 2026 agora tem detalhes de plástico preto brilhante
Divulgação/Jeep
Na dianteira, o Commander traz um novo desenho do para-choque e da grade para alinhar o visual aos lançamentos mais recentes da marca. E há ainda uma nova posição do DRL, que agora surge acima dos faróis. As luzes de neblina também foram reposicionadas e estão mais largas.
Fora isso, a versão Blackhawk, justamente a testada por Autoesporte em Mendoza (Argentina), acaba tendo elementos com acabamento preto brilhante para trazer uma dose extra de esportividade. Na lateral, todas as versões têm novas rodas. A topo da gama ainda tem pintura escurecida e aro de 19 polegadas (235/50 R19).
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Jeep Commander Blackhawk 2026 tem rodas de 19 polegadas com pintura escurecida
Divulgação/Jeep
Na traseira, veio a atualização que o SUV já pedia há tempos: as lanternas passaram a ser interligadas por uma faixa de LED em vermelho e agora trazem grafismos inéditos. Basicamente, a Jeep só acrescentou a iluminação. Afinal, a barra já estava ali desde a chegada do Commander ao mercado. De qualquer forma, as novidades deixaram o carro mais moderno e com mais personalidade, pelo menos na minha opinião.
Redução de preço
Fora isso, o Jeep Commander 2026 ainda ficou (bem) mais barato em todas as versões. A opção topo de linha Blackhawk, por exemplo, teve uma redução de impressionantes R$ 16 mil e agora custa R$ 324.990. Clique aqui e veja todos os preços, configurações e equipamentos.
Jeep Commander Blackhawk 2026 agora tem lanternas interligadas
Divulgação/Jeep
Ainda assim, podemos dizer que o valor continua elevado na comparação com os rivais. O Caoa Chery Tiggo 8 Pro custa R$ 189.990 e a diferença entre eles é de impressionantes R$ 135 mil. Já o Volkswagen Tiguan é vendido em versão única por R$ 305.990 — R$ 19 mil a menos. Portanto, o modelo da Jeep só fica abaixo mesmo (e aí bem abaixo) do Toyota SW4, que chega a ter preço de R$ 469.890.
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Sem alterações na motorização
Só que um dos motivos que explica o preço elevado do Jeep Commander é justamente o seu conjunto mecânico. Isso porque a versão Blackhawk tem motor 2.0 turbo a gasolina da família Hurricane e entrega ótimos 272 cv de potência e 40,8 kgfm de torque. Além disso, junto do câmbio automático de nove marchas, a tração é 4×4.
Para comparamos, o Tiggo 8 tem motor 1.6 turbo a gasolina e entrega “só” 187 cv. O Tiguan também traz um propulsor 2.0 turbo a gasolina, mas bem menos potente, com 186 cv. O SW4, claro, é o que mais se aproxima: motor 2.8 turbodiesel de 204 cv.
Jeep Commander Blackhawk 2025 é o mais potente da categoria
Divulgação
De qualquer forma, o trio fica bem para trás na prática quando o quesito é desempenho. De acordo com a Jeep, o Commander Blackhawk acelera de 0 a 100 km/h em 7 segundos. É um número que impressiona por ser bem mais ágil que qualquer rival.
O SUV da Caoa Chery chega aos 100 km/h em 8,6 segundos, enquanto o modelo da Volkswagen faz o mesmo percurso em 9,2 segundos. Mais lento ainda é o concorrente da Toyota, que leva 11,8 s. Todos são a prova viva de que é difícil encontrar um carro de sete lugares com boa aceleração. E o Commander é a demonstração clara de que é realmente a exceção à regra.
Jeep Commander Blackhawk 2026 parte de R$ 324.990
Divulgação/Jeep
O desempenho acaba sendo semelhante ao de um Volkswagen Jetta GLi, por exemplo, que faz o mesmo percurso em 6,7 segundos. Ou seja, uma diferença bem pequena para um sedã esportivo e mesmo sendo bem mais pesado: 1.886 kg contra 1.432 kg. Excluindo modelos realmente esportivos como os Mercedes-AMG, o Jeep Commander é o carro de sete lugares mais rápido do Brasil.
Vale lembrar que, desde a chegada do motor 2.0 turbo ao Commander, a versão Blackhawk traz molas e amortecedores mais duros que as demais configurações. Fato é que essa decisão foi uma ótima escolha. Isso porque o Commander Blackhawk 2026 consegue vencer vias mais esburacadas ou com obstáculos sem gerar balanços bruscos na cabine, e ainda passa segurança nas inclinações laterais na hora de fazer curvas acentuadas. O SUV de 7 lugares inclusive parece ser mais equilibrado que o Compass, mais curto e leve, por exemplo.
Jeep Commander Blackhawk 2026 tem suspensão independente McPherson na dianteira e traseira
Divulgação/Jeep
Consumo
Mas como é difícil ter tudo na vida, a versão mais potente do Commander é beberrona. De acordo com dados do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), faz 8,3 km/l na cidade e 10,3 km/l na estrada, sempre com gasolina. Tiggo 8 e Tiguan são bem mais econômicos do que isso. O SW4 fica de fora da comparação porque tem motor a diesel.
Bem equipado
Para compensar, desde a versão de entrada, o Commander é um carro bem equipado. Na Blackhawk, então, a lista de itens de segurança, tecnologia e conforto é ainda mais farta. Além de quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas, central multimídia de 10,1 polegadas, carregador de celular por indução e ar-condicionado digital de duas zonas, há teto solar panorâmico (dos grandes) e bancos dianteiros com ajustes elétricos (e memória para o motorista).
Jeep Commander Blackhawk 2026 tem acabamento que mistura couro e suede
Divulgação/Jeep
Arrematando o pacote, temos Adas nível 2 com frenagem de emergência, sete airbags, controlador de velocidade adaptativo e alerta de saída de faixa com correção. Só que quando o último item está acionado em estradas, o sistema acaba interferindo constantemente para manter o Commander no centro da pista e isso mais atrapalha do que ajuda. Pelo menos é possível desligar.
A cabine ainda tem um acabamento primoroso que combina couro com suede. Os bancos têm revestimento semelhante e inscrição com o nome da série em baixo relevo no encosto. E agora traz duas novidades: o câmbio deixou de ser uma alavanca tradicional e passou a ser giratório — o que dá um charme necessário. Há também a inédita câmera 360º de boa qualidade, o que ajuda bastante na hora de manobrar um carro grande como este.
Jeep Commander Blackhawk 2026 agora tem câmbio giratório
Divulgação/Jeep
Espaço interno
Grande? Pois é. O Jeep Commander tem 4,77 metros de comprimento, 1,86 m de largura, 1,70 m de altura e 2,79 de distância entre-eixos. Por isso, eu que tenho 1,66 m de altura consigo me acomodar na segunda fileira com espaço razoável para as pernas.
Só que na terceira fileira a história muda. Para começar, não é nada fácil acessar os dois últimos assentos do SUV, mesmo que a segunda fila seja corrediça. Além disso, não há praticamente nenhuma sobra de espaço aos joelhos, que ficam colados no banco. Para piorar, o assoalho ainda é alto, o que obriga os passageiros a elevarem os joelhos e a ficarem com quadris em posição muito baixa.
De qualquer forma, assim como grande parte dos carros de sete lugares, os últimos assentos são também mas indicados para crianças do que para adultos. E não há saída de ar-condicionado por lá, algo que a Jeep poderia ter melhorado com a chegada da linha 2026.
Jeep Commander Blackhawk 2026 oferece pouco espaço para quem senta na terceira fileira
Divulgação/Jeep
Agora falando de porta-malas, são 233 litros com a família completa. Ou seja, sobra pouco espaço para as malas. Mas com a terceira fileira rebatida, o número sobe para 661 litros. Desta forma, o compartimento é maior do que o do Toyota SW4 (500 l), mas menor na comparação com o Volkswagen Tiguan (760 l). A Caoa Chery declara 889 litros, mas no padrão diferente do SAE usado pelas demais.
Vale a compra?
Ainda que o Jeep Commander Blackhawk tenha chegado na linha 2026 com dois novos itens interessantes, o SUV sempre foi bem equipado. Portanto, para quem tem uma família grande e não quer abrir mão de ter ótimo desempenho, excelente acabamento e dirigibilidade acertada, a escolha é certeira. Só é preciso ter uma conta bancária um pouco mais recheada.
Jeep Commander Blackhawk 2026 tem 272 cv de potência
Divulgação/Jeep
Pontos positivos: desempenho, dirigibilidade, acabamento e lista de equipamentos
Pontos negativos: preço, consumo e espaço interno
Ficha técnica: Jeep Commander Blackhawk 2026
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