Teste: Land Rover Defender 2025 navega entre o moderno e o nostálgico

Jipão troca mais uma vez de motorização e mantém o comportamento equilibrado de sempre Sou torcedor do Fluminense e, como todo bom tricolor, sou muito grato pelo que Fernando Diniz fez para o clube. Afinal de contas, o treinador nos deu os títulos inéditos da Copa Libertadores e da Recopa Sul-Americana. Todavia, embora agradeça todos os dias pelas conquistas, o “Dinizismo”, estilo de jogo do técnico, me causou inúmeros episódios de angina.
Teimoso que só, Diniz não gosta de mudar seu esquema tático. Insiste em jogadores que pouco produzem. Demora a mexer no time. Um perfil diametralmente oposto ao da segunda geração do Land Rover Defender, lançada em 2020, que mais uma vez troca de motorização no Brasil.
Na verdade, o motor 3.0 turbo diesel de seis cilindros em linha e 24 válvulas acaba de ser atualizado. O reforço de 50 cv na potência é como a chegada do meia Jhon Arias ao time do Fluminense. O propulsor é combinado com um sistema híbrido leve. Isso mesmo, híbrido leve. Similar ao que tem causado polêmicas em Fiat Pulse e Fastback.
Land Rover Defender 110 MHEV X-Dynamic HSE tem motor 3.0 que entrega 350 cv de potência
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Autoesporte avaliou a opção X-Dynamic HSE do Defender 110, na configuração cinco lugares, comercializada a partir de R$ 762.450 (segundo configurador no site da fabricante). Vem com o já citado motor 3.0, que passou de 300 cv de potência e 66,3 kgfm de torque para 350 cv e 71,3 kgfm.
Por se tratar de híbrido leve, vale frisar que, assim como o volante André foi o responsável por segurar a bronca do “Dinizismo” no meio-campo tricolor, o propulsor é o único a tracionar as rodas. Ou seja, carrega o piano, de certo modo, sozinho.
Dinâmica do Land Rover Defender
O motor elétrico do Defender 110 X-Dynamic HSE faz as vezes de John Kennedy. Tal qual o atacante, que na vitoriosa campanha do tricolor na Copa Libertadores de 2023 entrava para dar aquela energizada na equipe, o propulsor substitui, no caso do utilitário, o alternador. Com bateria de 48V, também ajuda o motor de partida, diminui a presença de componentes mecânicos e deixa o veículo, de forma geral, mais eficiente.
Tampa do estepe na cor da carroceria custa R$ 2.500
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Vale salientar que, para o porte do Defender híbrido leve, sua dinâmica é boa, confiável no ataque e na defesa. Nada mal mesmo para um brutamontes de 2,4 toneladas. A aceleração é mais que adequada graças ao torque alto em baixas rotações.
Além disso, o modelo tem bom desempenho em cruzeiro, nas estradas, e dinâmica igualmente bacana em áreas de topografia acidentada. Este redator fez uma rápida simulação de tal comportamento nas vias burguesas do Alto de Pinheiros, em São Paulo, e pode afirmar que mesmo condutores menos habilidosos passam incólumes por íngremes ladeiras.
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O câmbio automático de oito marchas com tração 4×4 permanente faz com que o motor 3.0 opere de maneira silenciosa, em faixas de rotação mais baixas, na maior parte do tempo. O 110 também vai bem em tipos distintos de terreno, como esperado para um veículo que carrega o lendário nome Defender.
Rusticidade do Defender original deu lugar ao luxo; rebites nas portas fazem ligação com o passado
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Não à toa, o modelo tem modos de condução para variados pisos. Além disso, proporciona melhor controle em subidas e descidas, com otimização de distribuição de força e seleção de marcha cirúrgica, bem como respostas adequadas para estilos de condução mais comedidos ou mais, digamos, “nervosinhos” — um motorista de comportamento similar ao de Fernando Diniz à beira do gramado.
Freios a disco nas quatro rodas são bem dimensionados, impõem força e distribuem de modo equilibrado a frenagem. Em suma, seguram bem o ímpeto do SUV. São tão eficientes quanto Fábio, arqueiro que já é um dos maiores ídolos da história tricolor. Até aprendeu a jogar com os pés a fim de suportar o jogo de múltiplos toques do “Dinizismo”.
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O consumo, por sua vez, também é bom. Isso, claro, levando em consideração o tamanho do veículo. O Defender 110 faz, de acordo com dados do Inmetro, 9,1 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada.
A ar, a suspensão oferece conforto na hora do acesso, reduzindo a altura em relação ao solo, de 21,8 cm, para melhor atender aos ocupantes. Além disso, pode subir 7,5 cm em modo off-road e, caso uma das rodas de 20 polegadas perca contato com o solo, o sistema eleva ainda mais a carroceria para “resgatar” tração e estabilidade. No rodar cotidiano, o acerto funciona bem tanto em ciclo urbano quanto no fora-de-estrada.
Faróis arredondados também reverenciam predecessor
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O espaço interno é tão generoso quanto o campo deixado pelos times de Fernando Diniz para que os adversários ataquem. Quem viaja no banco traseiro vai com tranquilidade, e tem ainda à disposição saídas de ar-condicionado. No porta-malas, capacidade para 646 litros no arranjo de cinco lugares e míseros 160 litros quando a terceira fileira está montada.
Batendo um bolão
Por fim, a lista de equipamentos é de futebol de luxo. Há teto panorâmico, faróis de LED Matrix, bancos dianteiros elétricos, com memória e climatizados e volante com ajustes elétricos. Tem ainda aquelas “ajudinhas” ao motorista, como frenagem de emergência, controle de velocidade adaptativo, assistentes de permanência em faixa e de estacionamento 360 graus e monitor de colisão e tráfego traseiro. A central multimídia de 11,4 polegadas se conecta com Android Auto e Apple CarPlay sem fio.
Veículo bem equipado, dono de habitáculo luxuoso e espaçoso e de um design que exala robustez, o Defender 110 é um amálgama de pontos positivos. Com o sistema híbrido leve também não faz feio, e é um carro interessante para seu porte.
Um produto ganhador, como o tricolor carioca na Libertadores 2023, mas que não pode repetir os vacilos do Fluminense de 2024, que dormiu no ponto e teve que brigar contra o rebaixamento. No caso do SUV britânico, as ameaças são chinesas: o GWM Tank 300 e o vindouro BYD Denza B5, ambos equipados com sistemas plug-in.
Por enquanto, vence o Defender. É um veículo que navega entre a modernidade e o apelo nostálgico com louvor. Mas o jogo ainda não acabou.
Pontos positivos: Inegável capacidade off-road e suavidade na entrega de potência e torque
Pontos negativos: Design; lançado há cinco anos ainda não passou por mudanças
JLR Defender 110 MHEV X-Dynamic HSE
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