Briga dos pequenos: Volkswagen Gol LS e Fiat 147 GLS se enfrentaram em 1981

Mesmo com mecânica antiga refrigerada a ar, o VW não fez feio na disputa com o Fiat de concepção mais moderna Imbuídas pelo mesmo espírito, Fiat, à sua época, e Volkswagen, recentemente, empenharam-se em oferecer ao mercado versões mais potentes de seus carros de série. Como derivante do Fiat 147 GL de 1.050 cm³, apareceu o GLS com 250 cm³ a mais. Para o Gol o aumento manteve-se na mesma ordem, ampliando-se a cilindrada em 300 cm³.
A diferença mais marcante entre os dois modelos é que a Fiat o fez como um algo a mais, e a Volkswagen tratou de corrigir uma necessidade imposta pelo seu mais recente lançamento, o Gol, para o qual o mercado reclamava mais potência desde o início das vendas.
Em confronto entre as versões mais potentes desses dois carros muitos pontos os identificaram, mas vários outros itens os mantiveram muito distantes, ficando a opção de compra vinculada não apenas à opinião emitida por uma revista especializada, mas também, e destacadamente, pelo gosto pessoal de cada comprador.
Fiat é um pouco mais econômico, mas autonomia do Gol é quase 100 quilômetros maior
Autoesporte/Acervo MIAU
Ao examinarmos criteriosamente os dados obtidos no teste, pudemos concluir que o desempenho dos dois é praticamente igual. Em confrontos reais, onde fizemos uso de estradas e vias expressas pouco movimentadas, pudemos concluir por um verdadeiro empate entre os dois.
Em medições, como os 1.000 metros de arrancada, os resultados revelados pelo cronômetro acusaram dados quase que idênticos. Foram 38,2 segundos do Gol LS para 37,4 segundos do Fiat GLS – apenas 8 décimos de segundo a cada mil metros percorridos a partir da inércia.
Nas marcas obtidas de 0 a 100 km/h reais, apenas 0,2 segundo serviu para dar a vitória ao Gol LS, o que pode muito bem significar uma alteração qualquer de regulagem de um carro para outro. Ou até mesmo diferenças no amaciamento.
Versão GLS do 147 usa motor 1,3 litro ante o 1.050 das demais
Autoesporte/Acervo MIAU
Desempenho idêntico
Nas medições acusadas pelo cronômetro nas acelerações de retomada, os números foram mais do que objetivos. Os carros têm desempenho com impressionante equilíbrio. Basta que nos concentremos na maior diferença encontrada: 6 décimos de segundo. Menor do que muitas das diferenças acusadas por comparativos de versões à álcool e gasolina.
Na aceleração de retomada de 60 km/h a 80 km/h, em 3ª. marcha, os resultados, repetidas as medições (seis passagens distintas com cada veículo), a média foi simplesmente a mesma. Nem um décimo de segundo de diferença!
De todas as medições, a única que apresentou dados um pouco mais distantes foi a velocidade máxima, com vantagem de 4,4 km/h a mais para o Gol LS.
O Gol pode ser resumido como um carro moderno com motor antigo
Autoesporte/Acervo MIAU
Lembramos também que as medições e provas de teste aconteceram em dias e circunstâncias climáticas absolutamente idênticas.
Os freios, mais gostosos de serem acionados no Gol LS, apresentaram nas provas onde, por força de norma, utilizamos o sistema de freadas em pânico (travamento absoluto das quatro rodas), pouca vantagem sobre os do Fiat. A maior diferença ocorrida aos 80 km/h acusou apenas 2,9 metros de vantagem para o Gol LS, o que pode até mesmo ser a diferença dos pneus utilizados por cada um dos veículos.
Ao volante
Conforto e dirigibilidade talvez sejam os quesitos onde mais temos elementos para distinguir um veículo do outro. São conceitos diferentes de automóvel, que muitos não deixam de levar em consideração antes da compra.
O Fiat revelou-se um carro essencialmente urbano, feito para enfrentar lugares apertados e balizamentos constrangedores. O Gol mostrou-se mais descontraído nesses momentos pouco agradáveis de uso. Seu assento mais aconchegante do que o do Fiat possibilita mais horas ao volante sem que chegue o cansaço.
A posição crítica do volante do Fiat, muito inclinado para a frente, faz com que apenas pessoas muito acostumadas não sintam o esforço. Já o Gol LS alia à vantagem do volante em posição mais correta o fato de ser mais leve e com melhor empunhadura, melhor pega.
Posição de dirigir do Gol é melhor e cansa menos em viagens
Autoesporte/Acervo MIAU
Para os passageiros do banco traseiro, consultados alguns dos que pudemos transportar nos dois carros, a vitória ficou com o Fiat, por uma pequena altura a mais.
Na largura interna, não computada a medida, já que ela é um dado absoluto e nem sempre a sensação transmitida por quem ocupa o espaço é o retrato da realidade, as pessoas diziam se sentir um pouco melhor no Fiat, talvez pela maior altura do assento.
Consumo
As diferenças no consumo, elemento fundamental para os dias em que vivemos, enfrentando um litro de gasolina a Cr$ 60 (em março), as respostas foram da mesma forma bastante próximas. Na média geral padrão Autoesporte, 400 metros a mais com um litro deram a vitória ao Fiat GLS. Foram 10 km/l contra 10,4 km/l para o Gol LS e Fiat GLS, respectivamente.
Volante do 147 é um tanto inclinado, mas os bancos são mais altos
Autoesporte/Acervo MIAU
No consumo urbano, valendo peso 7 para o cálculo de nossa média ponderada, os mesmos 400 metros a mais por litro mantiveram o Fiat na liderança do confronto.
Nos dados obtidos para estrada a vantagem do Fiat GLS aumentou para 600 metros, diferença esta da mesma forma pouco significativa. Para o Fiat a média ficou nos 15,4 km/l enquanto para o Gol LS esse número manteve-se em 12,8 km/l.
A autonomia, outro item muito importante para os que fazem boa quilometragem de estrada, revelou, calculando-se apenas o consumo médio para viagens, que o Gol LS está em melhor posição. É capaz de percorrer 704 km, enquanto o Fiat GLS ficará pelos 576 km.
O motor utilizado no Gol LS, 16 cavalos mais potente do que a versão de lançamento, utiliza cabeçote de dupla entrada. Houve ainda alterações na suspensão traseira (agora o eixo traseiro não desgarra no limite) e nova mola, que deixa o sistema de mudanças de marchas mais macio, principalmente no engate da ré.
Ponto fraco do Fiat, o sistema de trambulador faz com que o câmbio seja pesado para as mudanças. Já o Gol LS apresentou-se bastante agradável nesse sentido, apto a enfrentar grandes percursos com muitas mudanças sem provocar cansaço.
A suspensão traseira modificada o deixou mais fácil de ser controlado do que seu antagonista, o Fiat GLS, e aliada ao novo motor aumentou sua estabilidade em curvas de média e alta velocidades.
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Conclusão
Embora o Fiat GLS esteja equipado com um motor de concepção muito mais moderna do que o velho quatro cilindros opostos dois a dos carros da Volkswagen, no caso específico do Gol LS ele ainda foi bem aproveitado e cumpre bem as solicitações impostas.
Em resumo, o Fiat é um carro com soluções mecânicas indiscutivelmente modernas. O Gol é um automóvel moderno com motor antigo. Ambos foram manuseados pelos departamentos de engenharia das fábricas para dar um pouco mais de desempenho.
Gol levou uma pequena vantagem em velocidade final, com 146,8 km/h
Autoesporte/Acervo MIAU
Os dois apresentaram-se muito mais próximos do que se poderia esperar nos resultados do teste. Em matéria de preço, pouca diferença entre um e outro.
No entanto, o Gol LS mereceu nota média de 8,25, enquanto o Fiat GLS ficou nos 7,70. Acompanhe no quadro de notas quais itens deram ao Gol LS essa pequena vantagem. Da importância que você atribuir a cada nota poderá fazer a escolha mais adequada.
Notas
Conceitos: 1 e 2 ruim, 3 e 4 insuficiente, 5 e 6 aceitável, 7 e 8 bom, 9 e 10 ótimo.
Consumo
Desempenho
Velocidade máxima
Frenagem do Gol LS
Frenagem do Fiat 147 GLS
Ficha técnica
Texto publicado originalmente na revista Autoesporte 197, de abril de 1981
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